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Pela descriminalização do aborto.

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Antes de mais nada, gostaria de dizer que espero, imensamente, que o dia 28 de setembro seja cada vez de mais conquistas dos direitos das mulheres do que de reivindicações por esses mesmos direitos.

 

Sim, reivindicações são infindáveis, faz parte da vida. Mas a questão, recorrente, da legalização do aborto no Brasil está se tornando vergonhosa para os brasileiros e ofensiva para as brasileiras. Sim meus queridos brasileiros, vergonhosa. Porque como explicar que vocês desejem às suas mulheres, assim, tão descaradamente, o sofrimento, a agonia e a morte?

 

E, ainda pior, são as mulheres que se prestam a ser contra a descriminalização do aborto. Mas, queridas companheiras de gênero, vocês se acham assim realmente tão diferentes de suas semelhantes? Vocês realmente acham que se o aborto for descriminalizado as grávidas sairão correndo para fazê-lo, por qualquer motivo? É o que vocês fariam? Não acredito que quem use esse argumento – que o aborto, se legalizado, passará a ser usado como método anti-contraceptivo recorrente e desordenado – realmente acredite nisso…

 

Em primeiro lugar, porque quem realmente precisa fazer um aborto hoje em dia já o faz, mas, dependendo da classe social de origem, tem mais ou menos êxito (a esse respeito, leitura essencial: Drauzio Varella e A questão do aborto). Isso significa que a descriminalização do aborto não tira, de forma alguma, o peso psicológico que isso tem para cada mulher, apenas torna o processo mais seguro para a sua saúde física.

 

Em segundo lugar, porque parece até que toda mulher é uma ‘abortiva’ em potencial, só precisa ter a chance para isso. Ora, companheiras de gênero. Homens não engravidam, e por ali passam outros hormônios – posso até entender tamanha falta de compreensão dos menos sensíveis. Agora mulheres, vocês? Sinceramente, acham mesmo que é a descriminalização do aborto que vai fazer as mulheres se submeterem ou não a um aborto? Muitas mulheres não querem ter filhos, a massiva maioria não quer ter filhos de estupradores, outra grande parte não quer ter um filho em um momento inseguro da vida, sabendo que não poderá oferecer uma situação de segurança e amor à sua cria.

Agora, mulher que QUEIRA fazer um aborto, assim, por nada, isso eu nunca vi…

 

Infelizmente, não me espanta o fato do aborto ainda ser bombardeado por muitos brasileiros e brasileiras. Imagino que sejam os mesmos que são a favor da pena de morte e coadunam com o trabalho escravo… Dentro desse espectro, qual o problema de permitir que uma mulher perca a vida porque teve que fazer um aborto? Essas pessoas não ligam mesmo para a vida alheia…

 

(Uma coisa sim me espanta: como religiosos, que defendem preceitos religiosos, podem condenar tanto o(a) próximo(a)?)

 

Só que… Isso tudo são detalhes tão pequenos de cada um e cada uma. Porque, na bem da verdade, eu, definitivamente, não quero saber se você é ou não a favor do aborto. Tampouco estou te pedindo para fazer um aborto, para não fazer ou para apoiar ou condenar quem fez.

 

Essa questão está no âmbito das políticas públicas e não no âmbito dos gostos pessoais. Um Estado, laico e democrático, não pode negar à mulher seus direitos fundamentais e muito menos endossar o aumento da mortalidade e do número de internações (o que significa aumento de gastos públicos, se for preciso falar de $$$ para atingir os mais cabeça-dura) quando se omite, deixando questões de direitos básicos relegadas a fervorosos caldeirões religiosos, conservadores, rasos e hipócritas.

 

É sabido que todas as sociedades tem suas crenças, as quais, para cada crente, constituem verdades, e não crenças. Ao Estado, porém, cabem a garantia do Bem comum e da igualdade entre os desiguais.

 

Pela descriminalização e legalização do aborto, já!

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28 de Setembro: Dia de Ação pela Descriminalização do Aborto na América Latina

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“Educação sexual para prevenir. Contraceptivo para não engravidar. Aborto seguro e legal para não morrer: Chamado à Ação 2011″

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1 comment

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  1. Augusto Barros

    Entre todos os grupos que se organizam em torno da questão do aborto tem um que chama bastante atenção: mulheres católicas pelo direito de decidir. A carta capita fez uma matéria interessante com um frei que colabora com o grupo e que tem se dedicado a viagens pela América Latina para ajudar no processo de flexibilização das leis de aborto combinadas com desenvolvimento de políticas públicas com foco na educação sexual, planjamento familiar, etc.

    Segue o link para a matéria: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-frei-e-o-aborto

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