Desde 2002 falando bobagem (e coisa séria também)
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Batendo recordes

Alguns já frequentavam esse distinto espaço quando fiquei enfermo na Alemanha. Só para relembrar, tive um revertério intestinal dos mais severos e precisei ir ao Hospital Universitário de Freiburg. Lá, um dos pontos altos da viagem, o diagnóstico mais rápido da história da medicina. Pedro Gomides foi testemunha e comentou sobre isso na época.

Jamais pensei que esse recorde poderia ser batido. Até hoje. Explico, estou com uma dorzinha chata na lateral da face e na garganta e, depois de amolecer um pouco a cabeça, fui ao hospital próximo daqui de casa. 25 minutos de espera e sou chamado pela médica de plantão. Gastei menos de dez segundos para explicar o que eu tinha. Em outros dez ela levantou, pegou um abaixador de língua, rasgou a embalagem. Tocou a madeirinha na minha boca e já disse: “Ihhhh, é sinusite”. Como assim? Já? Não perguntou mais nada, sentou e começou a escrever a receita. Juro, fiquei menos de dois minutos na sala. Em Freiburg, o Dr. Kerk gastou pelo menos quatro me examinando.

A letra da moça na receita e suas feições dizem claramente que “escárnio” deve ser seu nome do meio. Junte isso com os 201 reais que gastei em medicamentos e eu só torço para que ela não tenha feito nada de errado.


De querer levar vantagem em tudo…

Chego em casa vindo do Aeroporto de Congonhas, a corrida de táxi custou R$ 29,30. Como só tinha uma onça pintada na carteira, para facilitar a minha vida e a do taxista peço para ele arredondar pra 30 reais. “Depois acerto os 70 centavos com o financeiro do trabalho”, pensei.

O taxista me pergunta: “Quer me dar 35 reais e eu te faço uma nota de 40?”. Deu vontade de responder “nem fodendo”, mas só disse que não.

Isso me tira do sério. Qual a vantagem em desviar qualquer quantia de dinheiro? O pior é ser taxado de errado quando se é honesto. Maldita lei de Gerson!


Desdém

O ponto alto do dia de hoje foi a invasão do prédio onde trabalho pelo pessoal do MST. Queriam falar com o presidente da Caixa, ou algo do tipo. Quem estava lá embaixo no começo da tarde, hora que o quiprocó começou, disse que a tensão estava no ar, mas (felizmente) não houve nenhum momento de maior drama.

Talvez por isso (ou por outro motivo), tenha sido vítima escárnio do segurança, quando fui lanchar. Desço acompanhado de dois colegas e, próximo da roleta, percebi que havia esquecido o crachá. O segurança, distante cinco metros, observa, e colocando a mão no bolso traseiro da calça, começa a caminhar lentamente na minha direção. “O senhor esqueceu o crachá?”, ele pergunta. “Sim”, respondo, fazendo uma cara de dó similar à do Gato de Botas. “Entendo… então o senhor vai ter ir lá em cima buscar”, ele completa com um ar de completa superioridade.

Não tive a menor chance de argumentar. Só me restou esperar o elevador, enquanto via, pelo canto do olho, ele liberar a entrada de uma moça bonitinha.


O mundo está egoísta

O mundo está egoísta. “Mas você só descobriu isso hoje?”, irão perguntar. Não, não descobri. Mas a impressão que tenho é de que os egoístas estão ganhando. Pra variar, o trânsito é o lugar mais fácil para se perceber isso. Eu já falei disso no ano passado e continua atual, mas temos outras histórias. E é curioso perceber como a grosseria vem no mesmo pacote. Em pleno 2010, uma parte das pessoas acha que vive sozinha no mundo, no melhor estilo “Eu Sou a Lenda”, mas sem precisar de sair pra caçar ou fugir de zumbis. Querem três pequenos exemplos?

1) Ontem quase fui atropelado por um sujeito que queria parar em um local proibido. E o mal educado ainda me mandou tomar no rabo. Eu poderia ter mantido a calma, mas acabei baixando o nível também. Pensar que a alteracação começou porque sinalizei que ali não rolava de parar.

2) O futebol que minha irmã joga às quartas, foi interrompido nas duas últimas semanas porque algum vizinho da quadra resolveu jogar ovos nas garotas. Ninguém sabe a razão, mas parece que o infeliz não está feliz com o barulho.

A entrada 3) O síndico do prédio aqui da agência “criou” uma entrada de garagem no meio do passeio (foto ao lado), para facilitar a vida dos que fazem uma barbeiragem para entrar na garagem e evitar 200 metros de trânsito. Quando um sujeito parou ali, um dos moradores esbravejou que cortaria os pneus de quem fizesse o mesmo.

E não foi por falta de tentativa, mas nem uma boa conversa resolveu os três problemas. Talvez, infelizmente, esse não seja o caminho. Também não consegui pensar uma boa solução para acabar com a grosseria e o egoísmo. Será que é possível fazer um Não Sei Estacionar para educar esse tipo de gente? Ou as pessoas de bem vão perder mais essa?


Carta Aberta a Gol

Caros amigos da Gol,

Sou cliente de vocês desde janeiro de 2002 e voo com frequência em seus aviões. Mas, o que relato a seguir é um resumo da pior experiência em atendimento e respeito que já presenciei. Normalmente deixaria passar e seria mais um caso na roda de amigos. Mas li no editorial da revista deste mês que vocês querem ouvir a opinião e a visão dos seus clientes, então aí vai.

Nessa mensagem, eu gostaria de abordar dois pontos muito simples: Profissionalismo e atendimento ao cliente. O que aconteceu ontem me dá motivos de sobra para nunca mais voar com vocês. Infelizmente isso não é possível, porque somos reféns de vocês e da TAM. As outras companhias (ainda, espero) não tem uma malha tão extensa quanto às de vocês, o que diminui as opções de escolha dos clientes.

Ontem, 14/03, fiz check-in para o voo 1687, que partia de Brasília às 20h40. Fiz todo o procedimento no horário, com a atendente afirmando que o voo estava sem atrasos. Ao entrar na sala de embarque, as coisas eram um pouco diferentes. O painel informava que o horário de partida estava confirmado para às 21h07. Esse também foi para o espaço. Resolvi perguntar no balcão qual havia alguma previsão de embarque. Um funcionário de vocês, Rodrigo Lima (se não me engano) respondeu que “dentro de dez ou 15 minutos, nos portões inferiores”.

Nesse momento, vale ressaltar o seguinte: Eu entendo atrasos de aeronaves por causa de aeroportos fechados e mudanças de portões por conta da movimentação no pátio. O que eu não entendo é a cara de pau de colocar a observação “Confirmado”, quando o horário já estava estourado, ou “Embarque Próximo”, quando estavámos bem longe disso acontecer. Será que a percepção de tempo de vocês é diferente da minha?

Após trocarem o portão 3 pelo C, o embarque foi iniciado bem depois das 22h, em outro portão, o D. Nessa esculhambação toda, eu e Carol, minha namorada, ficamos quase 40 minutos em pé e conseguimos um lugar para sentar. Por isso, resolvemos esperar a fila do embarque diminuir. Acabamos entrando no último ônibus, junto com mais 14 pessoas e por lá ficamos um bom tempo, até o motorista resolver sair para ver o que estava acontecendo. Resolvi acompanhá-lo e ouvi outro funcionário da Gol falar com ele: “Corre porque já fecharam a porta”. Esse é o ponto mais vergonhoso de toda a história. Vocês iam liberar um avião com 16 passageiros a menos, porque um funcionário deu ok e o comissariado não fez a contagem. Imagino que a lista de passageiros então deva ser uma mera formalidade. Ao chegarmos na aeronave, a mesma já estava com as portas fechadas e com o trator já engatado para o pushback. Deu pra perceber o semblante do despachante sair do desespero para o alívio ao perceber que a porta foi aberta para o nosso embarque. Com alguns poréns em relação à aeronave, cheguei em Confins, bem depois da meia noite, são e salvo.

Eu tenho sérias dúvidas em relação ao que foi pior. Não me importo com o lanche econômico, nem com as poltronas apertadas, afinal estou querendo voar barato. Mas voar barato não significa ficar “ao Deus dará” no terminal por conta de incompetência e falta de comunicação dos seus funcionários.

Um cordial abraço,

Felipe


Porque eu sou contra a Cidade Administrativa

Hoje ocorre a inauguração oficial da Cidade Administrativa, a nova sede do governo de Minas Gerais. Foram torrados R$ 1,5 bilhão na construção dos cinco prédios que compõem a Cidade, com o argumento de deixar toda a estrutura do Estado em um só lugar, gerando uma economia de R$ 92 milhões/ano*.

Minha opinião? Sou contra. Simplesmente porque não é uma solução moderna. Mal comparando, a própria Praça da Liberdade é um centro administrativo da sua época. Claro que de 1897 (data da criação do Palácio da Liberdade e seu entorno) para hoje, a estrutura do Estado é outra e muitas secretarias estão localizadas fora dali. Mas hoje não é necessário juntar todo mundo. “Ah, mas e a economia em ligações e despacho de documentos?”, vão questionar. Skype e meios eletrônicos existem pra isso aí. “Só que a obra representará desenvolvimento da zona norte da cidade!” Concordo que é importante, porém convenhamos, não poderiamos utilizar o mesmo espaço para uma série de outras coisas? Um pólo industrial, um centro de convenções, sei lá. Mas não, resolvem construir uma obra “imponente” em um vale, abaixo do nível da estrada. E me desculpem os pachequistas, porque escolher Oscar Niemeyer quando se podia fazer, por exemplo, um concurso? A obra tem a cara dos anos 50.

Finalmente, temos o problema do acesso, já que os servidores vão de ônibus fretado (!). Fizeram uma meia dúzia de linhas marginais de ônibus para atender ao local, sem pensar em uma grande solução de transporte tipo metrô ou VLT.

Fosse eu o governador, reformaria o centro da cidade com essa grana. Existem dezenas de prédios grandes e parcialmente desocupados na Praça 7 e arredores. Colocaria todo o funcionalismo lá, reformando as edificações, interligando-os pelo alto, colocando estacionamento subterrâneo e o escambau. De quebra, transformaria a praça em um grande boulevard. Isso sim seria uma obra moderna e de vanguarda. Não essa “grandiosidade dentro de uma caixa de fósforos” que me parece ser a Cidade Administrativa. :|

* Corrigido às 14h24. Em quinze anos pagamos a conta, perdão!


Carreira Curta

Presumo que teria uma curta carreira como piloto na aviação comercial, caso fosse essa a minha escolha. O motivo? Minha preguiça com gente folgada e que não segue as regras. Combinaria algum sinal com a equipe de bordo e eu seria avisado sempre que alguém levantasse antes da hora. Nesse momento eu frearia o avião.

Assim, só nos voos de ida e volta do Rio, aposto que eu derrubaria umas seis ou sete pessoas. Que parariam com essa mania idiota de não seguir avisos e praticar a ansiedade sem necessidade.


Spam do rock

Fico triste ao constatar que muita gente ainda confunde o que é Spam. E essa falta de conhecimento pode ser um tiro no pé de quem busca divulgação do seu trabalho. Como músico semi-profissional, sei que a estrada é longa, árdua e muitas vezes injusta. Mas não acho que a invasão do espaço alheio seja o caminho para apresentar alguma coisa. Pois bem, hoje fui surpreendido com a seguinte mensagem no twitter:

@felipecabeca Hey VOCÊ que AINDA ACREDITA no ROCK! Já conhece a banda paulistana CONDESSA SAFIRA?

Se eu acredito no rock? Sim, acredito. Não como forma de salvar o mundo, mas como forma de diversão. O que não acredito é no Spam. Afinal, não pedi pra receber essa mensagem. E foi isso que respondi para a moça. Ela argumentou que não é spam, afinal “Spam, é aquele recado chato que pessoas mandam para TODOMUNDO, certo? Eu as pessoas que mandarei o recado. Ou seja, eu tenho o trabalho de mandar para as pessoas “certas”. E isso não é spam! Isso é DIVULGAÇÃO”.

Argumentei que isso continua sendo spam. E ao invés de cativar o público, isso acaba criando uma rejeição. O pior, a moça em questão nem era da banda, mas sim uma fã. Ou seja, faz os outros pagarem o pato dela. De qualquer maneira, não acho que insistir com essa figura vai adiantar alguma coisa, principalmente enquanto a invasão do espaço eletrônico alheio for tolerada.

E, nem tão a ver com o post, mas já perceberam que só tem spam pra coisa ruim? Nunca vi e-mail em massa ou mensagens excessivas no twitter para me oferecerendo Häagen-Dazs, caixas de Therezópolis Gold ou uma festa na mansão da Playboy.


E eu quase nunca perco a calma

Uma das minhas cenas favoritas de Scrubs. E pensar que hoje estive a um passo de arrancar os cabelos exatamente igual o Turk faz no vídeo.

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Drops da falta de paciência

Estou pouco me lixando se vierem com “mimimi” pra cima de mim. Dane-se se a síndica é uma broaca, se o seu namoradinho é o cara mais lindo do mundo. O problema (ou a solução) não tem a ver comigo.

O mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas finalmente entendessem que regra é regra e não uma sugestão. E se for uma sugestão, entenda como “se eu fosse você não faria isso” e não faça! Logo, meu amigo, existe algum motivo pra você não estacionar seu carro aí, pra você não atravessar na faixa de pedestres com o sinal aberto.

O trânsito de Belo Horizonte é tão jeca, mas tão jeca, que somos a única cidade com a seguinte placa: “Motorista, quando for fazer a conversão, utilize a seta”. Como se isso não fosse óbvio o bastante.

Pra qualquer coisa nessa vida, o mínimo de profissionalismo e comprometimento é fundamental. Não é legal simplesmente fugir ou se omitir quando necessário.


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