6h50 da manhã, estou correndo pra academia, na Av. Paulista. Sou praticamente um alien, vestindo shorts, tênis e um corta-vento, no frio glacial. Em frente ao MASP, dois sujeitos parados observam o ir e vir da avenida. Eles olham uma moça indo pro trabalho e comentam: “Essa é gostosa”. Olham pra mim, vindo logo atrás e emendam: “E esse é corajoso”.
Convocaram uma reunião de condomínio para decidir sobre a instalação ou não de uma “gaiola de segurança” no prédio. Na prática, é fazer um esquema de Penitenciária ou do Simba Safari: Colocar você entre dois portões, onde um só abre quando o outro fecha.
Aí eu pergunto, se um astuto meliante invade o prédio junto com você, o que fazer? Morrer de fome? Porque o você não vai conseguir entrar no prédio. E o ladrão também não vai querer sair.
Numa boa, essa paranoia com segurança as vezes me cansa.
O meu maior mantra sobre como ficar com a boca fechada já foi amplamente citado neste espaço. Para efeito de ilustração, faço a citação mais uma vez, prestem atenção:
O problema de falar é que ninguém impede que você diga a coisa errada. Acho que a vida seria bem melhor se fosse sempre como um filme. Você ferra tudo, vem alguém, manda cortar e pára a cena toda.
Pense nas coisas que você gostaria de não ter dito. Você está conversando com algumas pessoas: “Ei, você está grávida?” “Corta, corta, corta, assim não dá. Sai de novo, entra outra vez e vamos fazer a cena toda novamente. Cara, pense antes de falar.”
Pois bem, esse segundo parágrafo ilustra perfeitamente a cena que vi ontem. Estava sentado no restaurante, perto da porta, quando uma família passa. Pai, mãe e dois meninos, um de uns quatro anos e outro com não mais que seis meses de idade. Um sujeito levanta da mesa ao lado e fica impressionado com a beleza dos rebentos: “Vocês estão de parabéns, os meninos são lindos!”, ele diz, efusivo. Os pais agradecem e o cara, olhando para a barriga e as roupas – largas – da mãe, completa: “E estão animados, hein? Dois filhos e mais um a caminho!” “Não”, diz a moça, completando: “Isso aqui eu ainda tenho que emagrecer da gravidez”.
Sorrisinhos amarelos trocados, e o cara volta para a sua mesa pensando, suponho, no fora que deu. Já pensou como seria melhor se alguém cortasse a cena e mandasse ele fazer de novo?
Vou dar uma dica para vocês: Jamais entrem no Chatroulette. Na semana retrasada, incentivado pela minha curiosidade e meu faro para inutilidades, entrei no site pela primeira vez. Para quem não sabe, o site é basicamente é um chat, que te conecta aleatoriamente com qualquer pessoa que esteja lá. Não tem login, não tem apelido, não tem nada. São duas imagens de webcam e um campo para conversa.
Em dez minutos de experiência não consegui travar conversa com ninguém. Se bem me lembro, foram 19 homens e duas mulheres. Nenhuma quis papo comigo. Para piorar, dos 19 homens, pelo menos dez estavam nus e com a câmera focada para o respectivo falo. E eles apareceram de forma seguida. Foi muito pinto para uma vida inteira.
Coisa de gente maluca, sem dúvidas. Fiquei pensando que tipo de pessoa consegue se excitar com um site desses.
O pior é que tem gente que se diverte no chatroulette. Merton é um desses sujeitos (observem o vídeo abaixo). Encapuzado, ele toca piano para quem aparece na sua tela. Até o Ben Folds fez uma ode para o sujeito. Uma ilha de sanidade no meio da bizarrice.
Todo mundo concorda que a pedofilia é um dos crimes mais asquerosos que existem. Agora, na minha humilde opinião, é impossível concordar com um projeto de lei que defenda a castração química dos pedófilos.
Isso seria aceitável na idade média, não em 2010. Existem outras mil formas de solucionar o problema, mas essa, definitivamente, não é uma delas.
Ainda no voo de domingo, duas comissárias estão fazendo o serviço de bordo. A da frente, incomodada com um zumbido vindo do fundo do avião pergunta pra outra: “Que barulho é esse?”, “Ah, é a porta que está despressurizando”.
Eu pergunto atônito: “Como é? A porta está despressurizando? Explica direito”. E a comissária, com um belo sorriso, explica: “Não, fica tranquilo. É um microburaquinho que permite a entrada do ar. Estamos acostumados, é super normal, não se preocupe”.
Não me preocupar, né? Sei. Depois essa porcaria despressuriza igual um filme e ai? Ninguém vai se preocupar mesmo.
Esse post era pra sair na sexta-feira, mas esqueci o rascunho no trabalho. Acontece.
Nada como cinco bons dias no Rio de Janeiro. Um leve carnaval de rua, boas incursões alcóolicas e um pouco de praia sempre fazem bem para o corpo e a alma. Não peguei muitos blocos – e nem fiz questão – mas gostei dos que vi. Principalmente a quantidade de pessoas fantasiadas e de crianças nas ruas, fazendo o carnaval menos promíscuo e “perigoso”. É ponto pacífico que a companhia também ajuda muito e nesse quesito tirei a sorte grande. Não só com a Carol, mas com os churrascos e almoços que participamos.
Não sei se é um fato ou foi impressão, mas achei a cidade mais segura, apesar do pouco policiamento que vi nas ruas. Ok, assistimos o desenrolar de um furto, com o furtado correndo desesperado atrás do meliante e sua câmera, mas foi só. Mesmo na Lapa, Cinelândia e Centro, me senti muito seguro.
Antes que me esqueça, se eu pudesse descrever Copacabana em três palavras, elas seriam: Velhos, cachorros e bicicletas. As ruas e supermercados são lotados de idosos e cachorros. Aliás, percebi que labradores e golden retrievers são as raças preferidas de cachorros. Não sei como eles, os animais, aguentam o calor.
E as bicicletas provam o benefício de se morar em uma cidade plana. As magrelas são utilizadas como meio de transporte e entrega em uma frequência bem interessante.
Existe um episódio de Scrubs em que Janitor instala uma privada no telhado do hospital. E lá era o local de suas epifanias. É uma pena que as minhas aconteçam sempre no momento em que não consigo registrá-las, leia-se tomando banho.
É impressionante. A ideia para um texto, para uma ação, um groove sempre vem quando estou no banheiro. Se não me engano, também já previ números da Mega Sena e a fórmula para combustíveis eficientes e renováveis debaixo do chuveiro.
Como nunca tenho nada a mão, fico tentando memorizar até o fim do banho. Mas todas as ideias vão embora pelo ralo, assim que termino.
Uma pena. Será que existe uma tampa de ideias para chuveiros?
Li hoje que o novo Código de Posturas de BH foi aprovado em primeiro turno. Vindo da Câmara dos Vereadores é uma vitória e tanto, sem dúvidas. Como bom otimista que sou, gostaria muito que os que aqui vivem começassem a respeitá-lo.
Um dos pontos que gostei foi a proibição dos carros de som. Porém, fiquei com uma dúvida: aqueles carros de passeio com sistemas de som ocupando toda a lateral das portas e porta-malas também entram nesse bolo? Se sim (e eu sou bem otimista), seria uma vitória dupla! Bom para a cidade e para acabar com a proliferação do mau gosto musical.
Propaganda boa é essa, anunciando a embreagem automática da DKW. Já que sou herdeiro de um Vemag 65 manual, acho posso mostrar toda a tecnologia – opcional – do veículo!
