Menção mais do que especial os 996 (+1) dias completados ontem ao lado da Carol. Uma pena eu ter demorado tanto – e ter perdido tanto tempo – para achar alguém que faz tão bem e me deixa tão em paz feito ela.
Em dezembro e janeiro, a coisa mais pontual que existe nessa cidade é a famosa chuva Lavapião. Sabe qual é essa, né? É a chuva que cai britanicamente às 17h50. E acaba sacaneando a vida de todos nós, trabalhadores desprotegidos das intempéries.
Ah, e vale só um registro. O Lavapião não faz distinção de meio de transporte. Se você tiver a pé, chove. De ônibus, chove. De bicicleta, chove também. De carro, chove granizo. Dessa forma, quando o tempo fecha, ficamos na eterna dúvida: apostar quanto tempo vai durar a chuva e adiantar o serviço ou aceitar a derrota e ficar encharcado? Confesso de coração que a primeira opção me parece mais sensata.
Ontem estava caminhando para pegar o ônibus e ir para o trabalho, quando uma menininha de uns dois anos sai de um prédio acompanhada pela babá. Ela aponta pra mim e fala “Papai”! Mais que depressa falei “Não, não, não!” e contei com o apoio da babá: “Não, gracinha. Ele não é seu pai…”
Ufa! Não que eu corresse o risco, é lógico. Mas deixar tudo em pratos limpos sempre é bom.
Deixei Carol em casa e fui ver o Diego tocar com seu grupo de samba. Chego, peço uma cerveja e fico estrategicamente posicionado perto do balcão, atento ao som da turma. O garçom acha que eu sou o empresário da banda, nego duas vezes, mas na terceira acabo concordando. Ganho uma cerveja por isso. Mas isso não importa.
O que importa é que meu ponto no balcão fica perto da porta do banheiro feminino, que – registre-se – ostenta um dos maiores avisos que já vi. Nesse momento, duas mulheres bonitinhas se aproximam e retoricamente perguntam: “Aqui é o banheiro feminino?”
Eu certamente responderia algo simpático e acolhedor, mas não, optei pela grosseria: “É o que parece, né?”. Juro que fiquei assustado comigo. Não era pra ser assim, mas foi. E quando comentei com a Carol, ainda tomei uma dura. Só porque fui grosso.
Em uma das vezes que conseguia acordar (mais) cedo do que o costume no domingo, vi o Almir Sater falando sobre sua criação de carpas. Sater falou que as carpas também eram um presente para seus filhos, já que o peixe vive cerca de 50 anos.
Juro que para esse natal, eu queria dar uma Carpa para o meu amigo oculto. Como uma forma de mostrar que eu quero que ela cuide do peixe por mais 50 anos e que estamos juntos e fortes na caminhada. Infelizmente, não vai rolar. Primeiro porque não teremos onde colocar uma. Segundo, porque Carpas são (bem) mais caras do que imaginei.
Mas eu sei que valeu a intenção.
Não posso querer muita coisa a mais na vida, quando tenho a honra de acordar com a paz ao meu lado.

Apesar de não assistir novelas, vi uma cena em “Viver a Vida” que caiu como uma luva em uma situação familiar. Na cena, Luciana chega toda estrupiada de viagem, correndo risco de vida e – como já se sabia – paraplégica. A mãe pergunta ao doutor o que fazer e ele responde: “Vi famílias que se destruíram com uma dificuldade dessas. Porém vi muitas outras, que acharam uma oportunidade para se fortalecerem e se unirem”. Agoniada, ela insiste e pergunta se deve esperar pelo melhor ou pelo pior. “A gente sempre deve esperar pelo melhor”.
Pois é, saindo da paralisia e indo para um adenocarcinoma de células não pequenas, a situação que minha família enfrenta é bem similar. E embora parte dela não viva isso, por diferentes razões, sinto que escolhemos a segunda opção, a do fortalecimento. Apesar de alguns percalços e da gravidade da situação, eu continuo sempre acreditando no melhor. Mesmo assim, não é uma situação fácil e sem pressão. É a terceira vez que enfrento o problema cara a cara. Primeiro com a vovó e uma trombose em 95, depois com o vovô e sua diabetes em 2000/2001. Agora vem mais esse obstáculo.
A gente sabe que a batalha é árdua, mas é mais uma oportunidade de manter os laços unidos e mais fortes, porque diante de uma situação dessas, qualquer coisa é fichinha. Já encaramos um ano e, se depender de mim, encararemos outros tantos. O que me deixa confortável e de cabeça erguida é a minha fé inabalável de que tudo sempre pode acabar bem.
Vamo que vamo!
Meu pai recepcionou uns cubanos durante a semana passada. E disse que um deles soltou uma pérola que merece ser compartilhada com todos os homens do mundo. Todos nós, homens sérios e comprometidos, precisamos constantemente fazer negociações com nossas companheiras. “Amor, posso jogar bola hoje?”, “Meu bem, que tal comermos carne ao invés de japonês?”, “Comédia romântica? Você não acha que esse novo filme do Steven Seagal não é mais legal?”, são três exemplos de questões belicosas para um relacionamento. E para elas eventualmente conseguimos um “Sim” como resposta. Porém, essa resposta é geralmente seguida de uma careta. Ela pode ser interpretada como “vou ceder, mas claramente não gostei da ideia”.
Agora, o conhecimento: Imediatamente após ter a resposta positiva, seguida da careta, o cubano fala: “E no me ponga las caritas!” ou seja, não me venha com a cara feia! Afinal de contas, concordou porque quis.
Honestamente, conhecendo – e respeitando – meu eleitorado, tenho um pouco de medo de aplicar essa técnica. O resultado pode não ser tão legal. Mas fica a dica, para os corajosos que tentarem.
Aos 27 anos posso afirmar: É impressionante como uma dose de álcool e uma conversa meio estranha colaboram com o crescimento das minhocas (profissionais) que, de inopino, começaram a habitar minha cabeça.
Sento para almoçar no shopping, praça de alimentação relativamente vazia. Na mesa para dois lugares, somente eu, meu Steakhouse Burger, batatas médias e um copo de chá gelado. Quando a gente almoça sozinho, nosso foco é todo na comida. Você eventualmente olha pra algum lugar só pra tomar um ar. E foi nessa aí que cruzei olhares com um sujeito e sua bandeja do McDonald’s. “Cara, quanto tempo, posso sentar com você?” e já foi se acomodando. E eu nem tinha começado a comer o sanduíche.
“Pô, quanto tempo, ainda tem ido lá?” ele perguntou. “Ah… bem… não muito”, respondi secamente. Qualquer que fosse o lugar, era melhor dar uma resposta evasiva. Nesse momento, não tava nem aí pro meu almoço. Meu cérebro só ficava tentando responder “De onde eu conheço esse sujeito?”. Afinal de contas, não joguei bola com ele, nunca vi o cara no RUTs e ele também não foi meu colega de escola ou de faculdade. A situação só não era crítica porque ele também não lembrava o meu nome. Nessas horas, poderia ser socialmente aceito chegar pro sujeito e falar pra ele sair da mesa, afinal de contas, eu não lembrava do sujeito.
Quando a situação chega nesse ponto, a melhor coisa a se fazer é fazer perguntas genéricas do tipo “Onde você tá trabalhando?” e ir aproveitando toda e qualquer brecha que renda dentro do assunto. Na situação de hoje, fomos até o fluxo migratório de Trinidad e Tobago para a Inglaterra.
Agora, francamente, é muita falta de noção. Era mais fácil só cumprimentar e arrumar uma mesa do que ficar dois idiotas buscando um assunto em comum.