Me espanta ver que em setembro de 2003 escrevi sobre a mesma coisa e a política não muda. A Globo, ao não citar nomes de empresas, acaba contribuindo com a não informação do público. Leia o post de 2003 e leia o que Victor Martins, o eficiente editor do Grande Prêmio, escreveu e tudo ficará claro.
E a política da “não informação” beira o ridículo. Para o jogo de domingo, contra o São Paulo, o Santos fechou dois patrocínios, sendo um de “uma empresa de cartões de crédito” (Visa) e de uma “fabricante de meias” (Lupo). Na Superliga de Vôlei, todos os outros veículos colocam os nomes “verdadeiros” dos times. Sada/Cruzeiro, Cimed/Florianópolis, Vivo/Minas e por aí vai. Menos a Globo, que transforma em Cruzeiro, Minas etc.
Resultado? Confusão e dúvida para quem lê ou só acompanha pela emissora platinada. Sete anos depois, a frase ideia continua a mesma: falar o nome de uma empresa dentro de uma matéria não é propaganda, é informação.
Aliás, só um último adendo. Se você só acompanha o globoesporte.com, pode ter certeza de que está perdendo tempo.
De um tempo pra cá, tenho preferido ouvir a Band News FM do que a Itatiaia pela manhã. A abordagem e a linguagem utilizada deixam as matérias da Band mais agradáveis do que as da “rádio de Minas”. Outro ponto que conta muito é o fato da Band News não (aparentar) ter o “rabo preso” que a Itatiaia tem com os governos municipal e estadual.
De fato, acho que a Itatiaia anda meio perdida no tempo, sem fazer algo legal e ainda presa a formatos antigos. Não acredito que ela esteja perdendo audiência, principalmente porque ela tem penetração em todas as camadas sociais de BH. Só sei que o perfil, principalmente do Jornal da Itatiaia, não me agrada mais.
Eu sempre gostei da Revista VIP. Tanto que sou assinante há pelo menos dez anos. Nesse tempo li muitas matérias engraçadas e ensaios interessantes. Os textos e as colunas me agradam e, modéstia à parte, acho que meu estilo de escrever casa bem com a revista.
Mas a revista sempre pisa na bola, principalmente quanto tenta fazer a convergência entre o hype e mulher bonita. Foi assim com os “avatares mais quentes do Second Life” e agora com o ensaio das “twitteiras mais gostosas”.
Primeiro: listar as “twitteiras mais gostosas” em 2009 é tão idiota quanto listar as “fotologueiras mais gostosas” em 2004/5. Com a singela diferença de que o fotolog era entupido de auto-fotos de jovenzitas com decotes profundos e expressões lascivas. Se você fosse uma “gostosa”, você tinha muitas oportunidades para mostrar todo o seu gingado através das fotos. Com o Twitter você tem uma chance só: sua foto de perfil. A culpa não é da VIP, é claro. Alguns idiotas resolveram compilar a lista e a revista foi na onda.
Segundo: A graça do twitter está diretamente relacionada ao que você posta. Caso contrário, não faz sentido você acompanhar as atualizações da pessoa. Apenas um dos três perfis escolhidos pela VIP me trouxe um conteúdo mais ou menos interessante. As outras duas não me apeteceram nem por um segundo.
Terceiro: O efêmero faz parte do jornalismo. No fim do ano mal vamos lembrar dessas mocinhas na revista. Pode ser até que o twitter tenha caído em declinio e tudo voltará ao “normal”. No entanto, fica a curiosidade pra saber qual será a próxima rede social que terá sua compilação de mulheres gostosas.
PS: Acho que esse assunto talvez possa trazer uma discussão interessante sobre a eterna busca pelos 15 minutos de fama. Os decotes profundos e peitorais malhados do fotolog foram também para o orkut. Resultado: Milhões de recados e amigos. Agora a onda é chegar aos milhões de seguidores com o desafio de não ter nada relevante para falar. Talvez a VIP ajude nesse ponto, não?
Só para dar um aviso aos que são de fora.
Quem lê os portais e vê os jornais pode estar assustado: BH está recheada de casos de gripe suína. Devo dizer que o clima nas ruas não reflete isso. Pelo menos não por onde ando todos os dias. Não vejo ninguém de máscara ou algo do tipo. Alguns colégios suspenderam aulas e colocaram alguns alunos em quarentena, mas só.
Vale até uma reflexão. O excesso de notícias, o medo e as pessoas com máscaras passam aquela sensação que a gente só vê em filmes tipo “Eu Sou a Lenda” ou “Resident Evil”, de contágio e morte imediatos. Claro que os cuidados devem ser tomados e isso foi (está) sendo feito. Mais como precaução do que por medo, suponho. De qualquer maneira, nem de longe a população por aqui está em pânico.
Acho que muita gente leu sobre o pacote proposto pelo presidente Lula, que modifica alguns pontos do Estatuto do Torcedor, visando trazer mais segurança para quem frequenta estádios de futebol.
Resumidamente, o pacote submete os estádios à laudos técnicos mais criteriosos, criminaliza torcedores por atos de vandalismo e – a proposta mais controversa – institui o cadastramento do torcedor, que receberia um cartão de identidade que também serve como ingresso.
Obviamente, os comentários variaram entre elogios e críticas. Selecionei duas opiniões, que me chamaram à atenção. Uma, principalmente pela (falta de) argumentação. Foi a coluna do Chico Maia, comentarista de televisão local e colunista do “O Tempo”, jornal da capital que minha irmã ganhou uma assinatura. Por conta da obrigação de preencher seu espaço, resolveu falar bobagem, do tipo “Bem a seu modo, usando de uma fala que lhe garante mais de 80% de aprovação popular”. Fazendo média com autoridades locais, o colunista falou, falou e não acrescentou nada. Típico.
Por outro lado, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 também deu suas opiniões. Também foi contra a carteirinha, mas apresentando fatos e dando apoio às outras medidas do governo.
Eu vou com Fábio Koff. Acho que a carterinha é uma boa medida, mas que pode ser melhor trabalhada. O que não pode é fazer como nosso amigo colunista, reclamar por reclamar, sem ao menos ler e entender o que foi proposto. Infelizmente, salvo raríssimas exceções, essa é prática comum dentre os colunistas e jornalistas daqui. Uma pena.
Não imaginava que a Globo faria tamanho frisson com o “vestibular” de Bruno Senna, sobrinho de Ayrton Senna, na Honda. As matérias no Jornal Nacional durante a semana e hoje, durante o Esporte Espetacular, comprovaram isso.
Pra começar, sou fã confesso do Senna, o Ayrton. Mas me enche o saco, ele ser chamado por “inenarrável”, “mito”, “inesquecível” etc. O cara foi muito bom, mas isso não significa que Bruno seja tão bom quanto. E talvez a mídia tenha esquecido disso. Currículo por currículo, o de Lucas di Grassi é muito mais robusto. Mas nenhum di Grassi sequer correu na Fórmula 1. Nos testes, ele foi pior que Bruno Senna, e torço para que a Honda leve em conta somente critérios técnicos para a escolha.
Indo bem ou não, Bruno Senna pode ficar tranquilo. A cobrança da imprensa brasileira vai ser diretamente proporcional com a paciência. Pelo menos serve pra isso ser sobrinho de Ayrton e filho da Viviane Senna.
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Aliás, a Globo deveria tirar o cavalinho da chuva. Não adianta falar que o Brasil será representado por quatro pilotos em 2009: Massa, Piquet, Barrichello e Senna. Ando apostando minhas fichas na hipótese do Rubinho, infelizmente, ficar a pé no ano que vem.
UOL lança nova página de notícias. Ficou bom de maneira geral. Mais limpo, mais fácil de navegar. No entanto, Eu achei que a marca é quase uma cópia da logo do Firefox.
Sempre comentei que acho preocupante quando alguém fala “que fez jornalismo porque sempre escrevi bem” ou “sou publicitário porque sou criativo” ou ainda “escolhi relações públicas porque sou comunicativo”. Isso significa ter a cabeça fechada para todo o contexto da comunicação, em qualquer aspecto.
Na faculdade eu vi gente falando em alto e bom som, por exemplo, que “jamais trabalharia em empresas ou sindicatos, porque isso é contra a liberdade jornalística”. Mais uma vez, cabeça fechada, por não enxergar os desafios que o “outro lado do balcão” oferece. De uma maneira geral, via muito a falta de interesse nas questões relacionadas às outras áreas da comunicação. Ou seja, jornalista só deve saber de jornalismo, publicitário de Marketing e publicidade e RP de Relações Públicas.
Passando para o ambiente da pós-graduação, pude perceber que a falta de interesse em questões de marketing ou publicidade ainda existe. Parece que algumas pessoas acham que “Gestão Estratégica da Comunicação” é pra jornalistas e “Gestão Estratégica do Marketing” é para publicitários. Só isso para justificar a afirmativa infundada e equivocada que escutamos durante a aula de Mercado, Consumo e Publicidade: “Não sei diferenciar marketing institucional de marketing mercadológico porque sou jornalista”.
Bom, pelo menos o curso fala destes aspectos da comunicação. E abrir a cabeça pode ser algo mais fácil do que se imagina.
Se até a Ivete Sangalo desabafou sobre o caso Isabella, eu posso desabafar também. Eu estou de saco cheio da forma como a imprensa está tratando o caso. Eu estou de saco cheio do bando de desocupados que fica de plantão na delegacia e na porta da casa dos pais do acusado, para dar pedrada, xingar, fazer protesto.
Ontem, enquanto acompanhava minha mãe na visita-surpresa ao hospital, fiquei assistindo Ana Maria Braga. Ela estava cercada de juristas, advogados e sei lá mais quem discutindo sobre o caso e fazendo uma conexão com o crime dos Richthofen.
De tarde, assisti ao Datena, o boçal-mor. No fundo do estúdio, camisetas com estampas pedindo por justiça. E uma votação que contabilizava mais de 14 mil votos, sendo 10 mil favoráveis: “Você acha que a polícia conseguirá provar a culpa do casal?”. Como assim? Que tipo de pergunta cretina é essa?
Fato 1: Eu não tenho dúvidas que esse sensacionalismo é o responsável por essa equivocada comoção popular. A imprensa começou tomando cuidado para não acusar o casal cedo demais, com medo de virar uma Escola Base 2. Mas penso que, com o desenrolar das investigações, meus colegas de profissão resolveram deixar essa precaução de lado.
Fato 2: E ninguém se reune na porta da prefeitura do Rio para protestar contra a dengue, que é um caso muito pior.
Vou deixar a discussão para vocês, mas que tal um portal que veicula notícias diretamente da agência do Governo Estadual, repletas de elogios e pontos de vista favoráveis? Estou falando disso aqui. Parcialidade pouca é bobagem.