Chego em casa vindo do Aeroporto de Congonhas, a corrida de táxi custou R$ 29,30. Como só tinha uma onça pintada na carteira, para facilitar a minha vida e a do taxista peço para ele arredondar pra 30 reais. “Depois acerto os 70 centavos com o financeiro do trabalho”, pensei.
O taxista me pergunta: “Quer me dar 35 reais e eu te faço uma nota de 40?”. Deu vontade de responder “nem fodendo”, mas só disse que não.
Isso me tira do sério. Qual a vantagem em desviar qualquer quantia de dinheiro? O pior é ser taxado de errado quando se é honesto. Maldita lei de Gerson!
Decidi que minha “cobertura” das Eleições será diferente. Não vou falar do vice do Serra, nem das mensagens falando do passado da Dilma. Isso ai tem gente melhor e mais importante pra falar sobre.
Pra começar, vou discutir os candidatos que em pleno 2010, utilizam formas arcaicas de fazer campanha. Eu queria saber quantos eleitores decidem seu voto vendo cavaletes, recebendo panfletos ou sendo vítimas de carros de som de candidatos. Aposto que pouquíssimos.
Pessoalmente, tenho ódio dos cavaletes. Enfeiam a cidade, atrapalham a circulação e são colocados de forma ilegal na rua. Basta ver nas Regras do Jogo do TRE-MG. Cavaletes não podem atrapalhar a circulação das pessoas, ficar em jardins e eles devem ser retirados todos os dias após às 22h. Em um fim de semana em BH (e uma andada na avenida Paulista) vi tudo ao contrário.
Questionei o deputado Gustavo Valadares via twitter e ele foi enfático, dizendo que não é ilegal. Sei. Mesmo se não for, definitivamente não é uma boa prática. Da mesma forma que panfletos, faixas e mocinhas balançando bandeiras não são.
Existem outras soluções muito mais limpas, modernas e legais (nos dois sentidos). É só querer ser diferente.
Adaptações não costumam ser fáceis e cobram seu preço. Com pouco mais de 40 dias morando nessa cidade, ainda luto para me adaptar com algumas coisas. Quem sai do esquema tranquilo de BH, fica assustado com o ritmo e o foco em resultados que grande parte das pessoas trabalham por aqui. De fora, achamos que é neura, mas não é. Dei muita sorte, porque há muita boa vontade, mas preciso fazer mais.
E é claro que isso é uma motivação, mas assusta. Assusta em saber que eu achava que tudo poderia ser mais fácil, por exemplo. De qualquer maneira, pra frente é que se anda. E vontade para isso é o que não falta.
“Para o infinito e além!”
Sem querer entrar nos méritos da motivação do possível crime, e sem querer saber se Bruno matou ou não, se ele e Macarrão são amantes, se o menor é mentiroso e/ou viciado. Só gostaria de compartilhar uns pensamentos soltos sobre esse circo:
O Bruno é maluco. Já falei disso aqui e faço uma correção. Depois dessa confusão chamada Eliza Samúdio, sair no braço com mulher deixou de ser a cereja do bolo.
E o goleiro virou um Judas. E isso prova como a gente sempre precisa de um. Todos querem ver Bruno e sua trupe julgados e condenados, preferencialmente com uma sentença que contenha as palavras “morte” e “praça pública”. Não entendem a velocidade da justiça e os tramites para que isso aconteça. O julgamento, não a morte em praça pública.
E é curioso ver como as coisas tomam proporções épicas, se transformando em um show de horrores. De um lado, Edson Moreira, um delegado fanfarrão que carece de um treinamento de mídia. Do outro, Ércio Quaresma, advogado dos mais controversos e malucos de Belo Horizonte. Para essas duas figuras, cada segundo de TV vira um momento de egolatria.
Realmente lastimável.
Uma das coisas que mais me motiva como baterista, ainda que seja um hobby, é criar e fazer música. Sempre penso que fazendo isso, estou contando um caso. E tudo bem que a grande parte desses casos seja de amigos, já que morro de vergonha das coisas que escrevo. E casos, de vez em quando, ficam sem começo, meio ou fim.
Dentro dessa metáfora, a ideia de um álbum é juntar todos esses casos, contando uma história bacana. E quando tive a chance de fazer um, percebi que o processo é um pouco mais profundo e complexo do que imaginava. Talvez essa seja a razão para o único disco do Balboa não ser exatamente uma história, mas sim uma compilação de pequenos causos.
Pois bem, faz um tempo que descobri um hobby que me proporciona uma sensação semelhante a de fazer música: Cozinhar. Encarar as panelas e fazer um jantar é como criar um álbum e contar uma história. Ultimamente, as histórias tem sido muito triviais e cotidianas, resultado dos meus almoços durante a semana. Pelo menos serviu para demolir o mito de que fazer arroz e feijão era complicado.
Aos poucos vou melhorando o repertório, que não era tão ruim assim. Melhorando as receitas e ousando, tentando misturar dois casos totalmente diferentes, para criar uma história nova. Ê beleza!
Em toda a festa metida a besta, virou moda o esquema de montar um bar de drinques. Barmans, alguns bons, outros nem tanto, saciando o desejo dos convidados por caipirinhas, capivodkas, vodka com energético e qualquer outra coisa que sua imaginação permitir. De vez em quando, gosto de me aventurar nesses bares, testando a imaginação dos profissionais do outro lado do balcão. Para isso, quando me perguntam o que quero,solto a palavra mágica: “Surpreenda-me”.
Nesse quesito, a melhor equipe disparada, foi a de uma festa na Mapa Digital. Fizeram todo o tipo de bebida imaginável, além de uma caipirinha “sólida” (entenda por cana mergulhada na cachaça). A imaginação era tamanha, que uma das bebidas foi batizada de “Chuck Norris”, tamanho o impacto nas nossas cabeças.
O sujeito da festa de sábado era pouco criativo. Vodka com coisas coloridas são legais, mas não propriamente inovadoras ou inesquecíveis. Vodka com soda, gelo e Curaçao Blue (ou lico de cassis, menta, você escolhe), faz a cabeça, mas não são diferentes.
Pensando melhor, pegando carona frase anterior, “bebidas comuns” podem ser inesquecíveis. Só depende da quantidade ingerida.
Certa vez, indo de um bar até a estação Vila Madalena, fui “obrigado” a ouvir as histórias de um taxista levemente homofóbico, dono da teoria que “São Paulo uma vez por ano vira Sodoma e Gomorra”. Era uma clara referência à Parada Gay. Relevei o preconceito do cara, um sósia menos abastado e um pouco mais acabado do Otávio Mesquita, dei uma risada, paguei a corrida e fui embora.
Ontem tive a sorte de ser conduzido novamente pelo Mesquita. Refresquei sua memória, relembrando o assunto. Não deu meio segundo e ele já voltou com a mesma conversa, parecendo que as duas semanas entre uma viagem e outra não demoraram mais tempo do que um cafezinho. Ontem, ele afirmava que os gays irão assumir a presidência, mas sem conseguir desfutar disso. “Afinal de contas, o mundo vai acabar em 2022″.
“Não seria 2012?”, argumentei. Que nada! 2012 são os Maias, como poderia me esquecer disso? E nosso amigo foi completando: “É 2022, mas não vou te falar o motivo, porque senão você vai me achar doido”. Insisti um pouco mais e ele topou falar. Uma pequena pausa, um empostação na voz e começou a falar, quase como um profeta: “Deus já mostrou sua força com o fogo, no 11 de setembro de 2001. Em dezembro de 2004, foi a água e o tsunami na Ásia”. E ele foi completando, “em janeiro de 2010, o terremoto no Haiti”. Ou seja só falta o ar. E em sua progressão, isso acontecerá em 2022. Mais a mais, se somarmos os digitos, teremos o número 6, o número do cão. Doideira pouca é bobagem
Mas, qual será esse sinal? “Não sei, amigo, mas prevejo duas coisas, podendo ser inclusive uma invasão alien”. Fiquei chocado. “Só por favor, não me ache doido”. Depois dessa e já com a porta aberta, taximetro parado em R$9,30 e com a estação quase fechando, a única coisa que eu queria saber era se ele tinha troco pra dez. É cada uma…
O mundo está egoísta. “Mas você só descobriu isso hoje?”, irão perguntar. Não, não descobri. Mas a impressão que tenho é de que os egoístas estão ganhando. Pra variar, o trânsito é o lugar mais fácil para se perceber isso. Eu já falei disso no ano passado e continua atual, mas temos outras histórias. E é curioso perceber como a grosseria vem no mesmo pacote. Em pleno 2010, uma parte das pessoas acha que vive sozinha no mundo, no melhor estilo “Eu Sou a Lenda”, mas sem precisar de sair pra caçar ou fugir de zumbis. Querem três pequenos exemplos?
1) Ontem quase fui atropelado por um sujeito que queria parar em um local proibido. E o mal educado ainda me mandou tomar no rabo. Eu poderia ter mantido a calma, mas acabei baixando o nível também. Pensar que a alteracação começou porque sinalizei que ali não rolava de parar.
2) O futebol que minha irmã joga às quartas, foi interrompido nas duas últimas semanas porque algum vizinho da quadra resolveu jogar ovos nas garotas. Ninguém sabe a razão, mas parece que o infeliz não está feliz com o barulho.
3) O síndico do prédio aqui da agência “criou” uma entrada de garagem no meio do passeio (foto ao lado), para facilitar a vida dos que fazem uma barbeiragem para entrar na garagem e evitar 200 metros de trânsito. Quando um sujeito parou ali, um dos moradores esbravejou que cortaria os pneus de quem fizesse o mesmo.
E não foi por falta de tentativa, mas nem uma boa conversa resolveu os três problemas. Talvez, infelizmente, esse não seja o caminho. Também não consegui pensar uma boa solução para acabar com a grosseria e o egoísmo. Será que é possível fazer um Não Sei Estacionar para educar esse tipo de gente? Ou as pessoas de bem vão perder mais essa?
Junto com a Penseira de Harry Potter, acho que deve ser legal ter o controle remoto do filme Click. Seria legal utilizá-lo em reuniões chatas, conversas com pessoas inconvenientes, dias de estômago ruim etc. Avançar o momento, até ele passar e tudo ficar bem de novo.
Pensei que poderia ser legal utilizá-lo inclusive em tempos turbulentos, como os de hoje. Mas não seria legal, por um simples motivo. Seria como fechar os olhos, afastar e não poder aprender com os momentos difíceis e tristes. Filosofando barato, são eles que nos dão força e experiência pra encarar todo o resto, seja ele bom ou ruim.
Hoje ocorre a inauguração oficial da Cidade Administrativa, a nova sede do governo de Minas Gerais. Foram torrados R$ 1,5 bilhão na construção dos cinco prédios que compõem a Cidade, com o argumento de deixar toda a estrutura do Estado em um só lugar, gerando uma economia de R$ 92 milhões/ano*.
Minha opinião? Sou contra. Simplesmente porque não é uma solução moderna. Mal comparando, a própria Praça da Liberdade é um centro administrativo da sua época. Claro que de 1897 (data da criação do Palácio da Liberdade e seu entorno) para hoje, a estrutura do Estado é outra e muitas secretarias estão localizadas fora dali. Mas hoje não é necessário juntar todo mundo. “Ah, mas e a economia em ligações e despacho de documentos?”, vão questionar. Skype e meios eletrônicos existem pra isso aí. “Só que a obra representará desenvolvimento da zona norte da cidade!” Concordo que é importante, porém convenhamos, não poderiamos utilizar o mesmo espaço para uma série de outras coisas? Um pólo industrial, um centro de convenções, sei lá. Mas não, resolvem construir uma obra “imponente” em um vale, abaixo do nível da estrada. E me desculpem os pachequistas, porque escolher Oscar Niemeyer quando se podia fazer, por exemplo, um concurso? A obra tem a cara dos anos 50.
Finalmente, temos o problema do acesso, já que os servidores vão de ônibus fretado (!). Fizeram uma meia dúzia de linhas marginais de ônibus para atender ao local, sem pensar em uma grande solução de transporte tipo metrô ou VLT.
Fosse eu o governador, reformaria o centro da cidade com essa grana. Existem dezenas de prédios grandes e parcialmente desocupados na Praça 7 e arredores. Colocaria todo o funcionalismo lá, reformando as edificações, interligando-os pelo alto, colocando estacionamento subterrâneo e o escambau. De quebra, transformaria a praça em um grande boulevard. Isso sim seria uma obra moderna e de vanguarda. Não essa “grandiosidade dentro de uma caixa de fósforos” que me parece ser a Cidade Administrativa.
* Corrigido às 14h24. Em quinze anos pagamos a conta, perdão!