Hoje ocorre a inauguração oficial da Cidade Administrativa, a nova sede do governo de Minas Gerais. Foram torrados R$ 1,5 bilhão na construção dos cinco prédios que compõem a Cidade, com o argumento de deixar toda a estrutura do Estado em um só lugar, gerando uma economia de R$ 92 milhões/ano*.
Minha opinião? Sou contra. Simplesmente porque não é uma solução moderna. Mal comparando, a própria Praça da Liberdade é um centro administrativo da sua época. Claro que de 1897 (data da criação do Palácio da Liberdade e seu entorno) para hoje, a estrutura do Estado é outra e muitas secretarias estão localizadas fora dali. Mas hoje não é necessário juntar todo mundo. “Ah, mas e a economia em ligações e despacho de documentos?”, vão questionar. Skype e meios eletrônicos existem pra isso aí. “Só que a obra representará desenvolvimento da zona norte da cidade!” Concordo que é importante, porém convenhamos, não poderiamos utilizar o mesmo espaço para uma série de outras coisas? Um pólo industrial, um centro de convenções, sei lá. Mas não, resolvem construir uma obra “imponente” em um vale, abaixo do nível da estrada. E me desculpem os pachequistas, porque escolher Oscar Niemeyer quando se podia fazer, por exemplo, um concurso? A obra tem a cara dos anos 50.
Finalmente, temos o problema do acesso, já que os servidores vão de ônibus fretado (!). Fizeram uma meia dúzia de linhas marginais de ônibus para atender ao local, sem pensar em uma grande solução de transporte tipo metrô ou VLT.
Fosse eu o governador, reformaria o centro da cidade com essa grana. Existem dezenas de prédios grandes e parcialmente desocupados na Praça 7 e arredores. Colocaria todo o funcionalismo lá, reformando as edificações, interligando-os pelo alto, colocando estacionamento subterrâneo e o escambau. De quebra, transformaria a praça em um grande boulevard. Isso sim seria uma obra moderna e de vanguarda. Não essa “grandiosidade dentro de uma caixa de fósforos” que me parece ser a Cidade Administrativa.
* Corrigido às 14h24. Em quinze anos pagamos a conta, perdão!
Não é possível ser gerente de projetos e do lar ao mesmo tempo. Ou você deixa seu trabalho arrumado e deixa a luz do banheiro queimada. Ou esquece de passar relatório pra chefe porque ficou pensando demais na ração da Naomi que acabou.
Ainda acho o meio termo.
Abra qualquer portal para ler as notícias sobre a greve dos rodoviários em Belo Horizonte. O resultado? Caos na cidade. Pessoas que não conseguiram chegar ao trabalho, trânsito caótico.
Essa greve deixou alguns fatos bem claros pra mim, que vão se desenrolando e completando. Pra começar, grande parte da população realmente usa o transporte coletivo. E alguma parcela dessa parte prefere deixar o carro em casa e pegar o ônibus. O aumento de carros em circulação prova isso.
Depois, a comprovação de que sindicato nenhum presta. Posso estar enganado, mas transporte é um serviço essencial. Sem ele, hospitais não funcionam, o comércio não abre e por ai vai. E mesmo em greve, é necessário manter uma escala mínima de serviço. O sindicato dos rodoviários não fez isso e hoje, mesmo com determinação contrária da Justiça, resolveram manter sua posição, fodendo toda a cidade. E se eles aceitarem um reajuste bem menor do que o pedido, não vai ser porque são bonzinhos e se preocupam com a população. Não existe almoço de graça nesta vida.
Sem ônibus, a cidade parou. A prefeitura deve ter percebido como é ruim ficar na mão dos donos das empresas de ônibus. Uma das razões da falta de outros modais de transporte público em BH é exatamente o lobby dessa turma. Claro que nenhum outro tem a capilaridade do ônibus, que consegue entrar nos bairros e em ruas secundárias. Porém, acho que é muito mais fácil você chegar ao trabalho com, por exemplo, uma estação do metrô próxima. E como nem a fiscalização está nas ruas, os perueiros estão fazendo a festa.
Pra finalizar, pelo menos é legal ver as movimentações para carona e campanhas tipo o #tuitesuacarona (e suas variantes). Só gostaria mesmo que elas durassem quando a maldita greve acabar.
Nunca na minha vida achei que veria um governador preso no Brasil. Diferente do presidente, não acho que a prisão de Arruda seja ruim para a consciência política do país, muito pelo contrário. Acho que finalmente esse país pode ir mais pra frente!
Em dezembro e janeiro, a coisa mais pontual que existe nessa cidade é a famosa chuva Lavapião. Sabe qual é essa, né? É a chuva que cai britanicamente às 17h50. E acaba sacaneando a vida de todos nós, trabalhadores desprotegidos das intempéries.
Ah, e vale só um registro. O Lavapião não faz distinção de meio de transporte. Se você tiver a pé, chove. De ônibus, chove. De bicicleta, chove também. De carro, chove granizo. Dessa forma, quando o tempo fecha, ficamos na eterna dúvida: apostar quanto tempo vai durar a chuva e adiantar o serviço ou aceitar a derrota e ficar encharcado? Confesso de coração que a primeira opção me parece mais sensata.
Deixei Carol em casa e fui ver o Diego tocar com seu grupo de samba. Chego, peço uma cerveja e fico estrategicamente posicionado perto do balcão, atento ao som da turma. O garçom acha que eu sou o empresário da banda, nego duas vezes, mas na terceira acabo concordando. Ganho uma cerveja por isso. Mas isso não importa.
O que importa é que meu ponto no balcão fica perto da porta do banheiro feminino, que – registre-se – ostenta um dos maiores avisos que já vi. Nesse momento, duas mulheres bonitinhas se aproximam e retoricamente perguntam: “Aqui é o banheiro feminino?”
Eu certamente responderia algo simpático e acolhedor, mas não, optei pela grosseria: “É o que parece, né?”. Juro que fiquei assustado comigo. Não era pra ser assim, mas foi. E quando comentei com a Carol, ainda tomei uma dura. Só porque fui grosso.
Ano difícil, bem difícil. Bom em grandes partes e nem tanto em outras. Mesmo as dificuldades foram boas para o fortalecimento. O principal: aprendi que dependo só de mim para fazer as (minhas) coisas acontecerem.
Pro ano que vem, quero trabalhar mais e melhor, com mais afinco e qualidade. Poder viajar com minha namorada, ter forças pra aguentar os rojões que já se prenunciam. Pedalar mais, ser menos fresco, ser uma pessoa melhor.
Que 2010 seja bom pra todo mundo, sempre.
Nos vemos lá daqui a pouco!
Estou com Carol trocando um presente de natal. Dei um shortinho pra ela que não ficou do jeito que ela queria. Ela escolhe algumas peças e fica na fila do provador para experimentá-las. Todas as cabines estão ocupadas, algumas com mais de uma pessoa. Isso vai torrando a paciência da minha senhora, já que as mulheres simplesmente se esqueceram de provar as roupas e começaram a conversar.
Carol se vira pra mim e fala: “Não tenho paciência pra esse tipo de coisa!” Imediatamente, a moça que estava atrás da gente toma as dores e começa a disparar todo o seu ódio contra a indecisões em filas. “Sabe aquelas pessoas que não decidem se querem mandioca ou batata frita? Pois é, odeio elas!”
O fato é que a moça ficou tão tocada e falante com a situação, que eu aprendi duas coisas. 1) Nem tudo são flores dentro de uma loja de roupas. 2) Mesmo solidários, papos em filas se tornam incovenientes depois de um tempo.
Li hoje que o novo Código de Posturas de BH foi aprovado em primeiro turno. Vindo da Câmara dos Vereadores é uma vitória e tanto, sem dúvidas. Como bom otimista que sou, gostaria muito que os que aqui vivem começassem a respeitá-lo.
Um dos pontos que gostei foi a proibição dos carros de som. Porém, fiquei com uma dúvida: aqueles carros de passeio com sistemas de som ocupando toda a lateral das portas e porta-malas também entram nesse bolo? Se sim (e eu sou bem otimista), seria uma vitória dupla! Bom para a cidade e para acabar com a proliferação do mau gosto musical.
Essa eu preciso compartilhar. Escrevi no blog, mas vale a pena demais colocar aqui também.
Sexta eu estava jantando com namorada, mãe, irmã e cunhado em um restaurante novo na cidade. Parrilla uruguaia finíssima, carnes e acompanhamentos ótimos, chopp Heineken, aquela coisa linda.
De repente, ouvimos um estouro de vidro. “Caiu um copo”, pensei. Quem dera se fosse. Quando eu olho para o balcão, vejo o garçom arremessando todos os objetos que estavam ao seu alcance em direção ao barman, que revidava com garrafas d’água. O balcão do boteco é em L. O de fora começou a contorná-lo, querendo entrar e – presumo – comer o barman de porrada. Como estávamos numa mesa na ponta do balcão, sem querer, ficamos na linha de tiro do barman, que por centímetros não acerta a minha irmã com uma garrafa. No meio desse fogo cruzado, duas garçonetes se abaixam assustadas, os outros garçons olham incrédulos e ninguém entende nada.
Cerca de 20 segundos depois, a turma do deixa-disso entra e apazigua a situação. O gerente, um uruguaio gente boa e de fala mansa, mesmo estupefato demite somente o garçom e as coisas voltam à “normalidade”. Enfurecido, peguei a garrafa, fui em direção ao gerente. Garrafa em riste, sangue nos olhos, cheguei falando “Olha só, minha irmã quase foi…”. O sujeito me interrompeu na hora com uma voz suave, cheia de vergonha: “Me desculpe, senhor, me desculpe”, tomando a garrafa da minha mão como um negociador tira a arma de um meliante. Fiquei sem ação! “Minha irmã quase foi acertada por essa garrafa, que estou devolvendo para vocês”, foi como completei a frase, sem graça.
De fato, a comida do local realmente é boa, porque nenhum cliente resolveu ir embora. Como prêmio de consolação, o uruguaio foi em todas as mesas oferecendo uma caipirinha como cortesia. Minha mãe, inocentemente, quis trocar a cortesia pela razão da briga, mas o cara deu uma resposta evasiva. Ficamos sem álcool e sem entender nada.
Quanto ao demitido, ele simplesmente trocou de roupa, atravessou a rua e ficou no bar em frente, esperando para resolver o problema. Acho que terminou de forma pacífica. Pelo menos não vi nenhuma marca de sangue, tiro ou nota no jornal no dia seguinte.