E eu estou em Salvador trabalhando, instalado no Vila Galé Ondina. Cheguei ontem e do Aeroporto até aqui foram mais de uma hora, com direito ao motorista de táxi (Paulinho), dançando eletro, axé e George Michael, tentando fugir de um engarrafamento na Paralela, enquanto xingava um companheiro que demorou a dar uma informação (“pode seguir pela Paralela” “siga você, seu abestalhado) e buzinava para tudo que acontecia fora de seu veículo. Nenhum táxi precisa de retrovisor nem seta. Basta farol alto e buzina.
Jantamos no Paraíso Tropical e o dono veio trocar uma idéia imensa com a gente, dentre outras coisas comentou que tem 23 filhos e quatro viúvas, das celebridades que visitam seu restaurante e falaou maravilhas de uma fruta de forma e nome fálicos, o Engarrolão. A revendedora de Teresina, que infelizmente nos acompanhava no jantar, ficou excitadíssima ao saber que existe um engarrolão de metro.
Fico nessa cidade até sexta, tentando relaxar no meio de tanto estresse. Estresse que me impede de escrever nesse humilde espaço.
Cara liga pro SAC da empresa: Oi, aqui é o Itamar, queria resolver uma dúvida com a automação.
Moça do SAC: Só um minuto, vou transferir.
(transfere a ligação)
Fulano: Automação, Fulano.
Moça do SAC: Fulano, é o Itamar na linha.
Fulano: Ei Itamar, tudo bom?
(…)
O “Almoço Feliz” é uma prática que eu conheci em meus tempos de agência. Tiago e Bruno foram os responsáveis por introduzir (no bom sentido, claro) o acontecimento no cotidiano da galera. Consiste em sair para almoçar em algum lugar bacana e diferente do corriqueiro. Nossos preferidos eram o Oishi e o Faz de Conta. Os benefícios são óbvios: almoçar bem, sair do ambiente e do cotidiano de trabalho e falar mais bobagem que o de costume.
Obviamente, quando comecei a almoçar no local de trabalho (e consequentemente bem longe de casa) perdi o hábito de fazer um “Almoço Feliz”, exceto, claro, nas reuniões que ocorrem em BH. Pois bem, na sexta tive a primeira oportunidade de conduzir o primeiro e verdadeiro “Almoço Feliz” em oito meses de empresa. Fomos até o Vila Rural, que fica na estrada e nos empanturramos de (boa) comida mineira.
Foi ótimo pra cabeça e pra barriga, embora péssimo para o desempenho na parte da tarde.
Qualquer produtora de vídeo que coloca em um portfólio direcionado para empresas, gravações de festas infantis, casamentos e, pasmem, partos, já deve ter seu nome riscado. Falo isso com conhecimento de causa.
Dias atrás recebi a ligação de uma produtora. Na ligação, entre os 14 gerúndios que escutei em quatro minutos, o contato da empresa gostaria de reapresentar a empresa, além de oferecer os serviços realizados. Pra evitar uma viagem desnecessária, falei para que ele enviasse o tal portfólio em DVD. Foi a escolha certa. Não só porque vi os tais vídeos sem o contato ao meu lado, mas também comprovei o mal gosto das produções comerciais feitas pela tal empresa. É duro, mas seria impossível estar fechando um negócio com a imagem de um parto natural na cabeça. Não dá, mesmo.
Um chinês está visitando a empresa. Devido as claras diferenças regionais e culinárias, me deram a árdua tarefa de traduzir o cardápio da semana pro inglês, uma vez que o visitante oriental passou por dificuldades ontem. Concentrado em minha tarefa e (ainda) sem o auxílio do dicionário, solto uma frase solta: “Como é pepino em inglês?” Meu companheiro de sala nem respirou pra responder: “Pode colocar aí… little problem”.
Ah, se infâmia matasse…
Sarcasmo e ironia, quando bem utilizados, são apreciados por esse que vos escreve. Ontem, fui o alvo de um belo exemplo. Passava das 8hs, eu e meus nobres colegas de trabalho havíamos terminado o café, e nesse momento o barulho rouco de um avião corta o céu. Todos olham pra cima e, inocente e abobalhado por causa do sono, faço uma pergunta óbvia: “O que é isso?”. Imediatamente escuto três respostas irônicas seguidas:
- É um urubu.
- … rouco.
- … e com síndrome de dragão.
Palhaços. Depois falo que a turma aqui dorme com o Bozo e ninguém acredita.
Tudo começou com o André me pedindo para dar aulas de inglês. Como não tenho um domínio completo da língua e tampouco sou professor, sugeri que ele pedisse à Sá. Papo vai, papo vem, idéias por todo lado, e ela teve a brilhante idéia de montar um grupo de conversação aqui na empresa. Juntamos mais duas pessoas e ontem tivemos a primeira “aula”, gerenciada por ela, carinhosamente chamada de “moderadora ditadora”. Apesar do travamento natural da turma, as perspectivas são as melhores. E é uma maneira bacana de praticar a língua, falar mais um pouco de bobagem e aprender um pouco.
Curso em São Paulo, primeiro dia. Como estou “cego”, me vi obrigado a sentar na segunda fila, junto de uma mulher recém promovida à comunicação da farmacêutica onde ela trabalha. Na minha frente, senta a próxima palestrante, uma balzaquiana. Branca, cabelos pretos lisos até o meio das costas, nariguda e charmosa. Rosto lindo de perfil e horrível de frente. Seria até “desfrutável”, se não fosse quase anoréxica e meio perua.
Acometido por meu tradicional sono da tarde, saí da sala pra tomar um ar fresco e molhar o rosto. Quando volto, cadê meu bloco? Minha companheira de mesa aponta para a tal mulher. “Ela pegou seu bloco”, disse oferecendo gentilmente o dela. Uma ova! Quero o meu bloco de volta. E lá estava ela, pegou uma folha e manteve meu bloco refém. Quando eu esboçava um pedido, ela virava o rosto. Não aguentei, cutuquei suas costas e pedi o bloco. “Desculpa, você tá com meu bloco e eu queria ele de volta”. Ela olhou feio, deu um sorrisinho sarcástico e soltou um “disponha!”. Maldita! Além de charmosa, é irônica. É demais pra mim…
Segundo dia. Primeira palestra, um diretor carioca defendendo a empresa onde ele trabalha. No fim de sua argumentação ele solta um “porra” e logo depois um “aí tiramos o nariz da merda”. Desde o começo dos tempos os cariocas não conseguem falar sem soltar um palavrão.
Pensamentos aleatórios
“Pensar no futuro não acelera o presente” – Ou seja, pensar no táxi que pegarei pra casa não acelera a palestra chata do momento.
“Budget é o caralho” – troque “budget” por “stakeholders”, “core business”, “skill”, “job description” e qualquer outro termo bobo em inglês
“Ninguém consegue mais fazer uma apresentação sem Power Point”
“E minha letra é tão garranchada que nem eu consigo entender às vezes”.
Ganhe pontos de respeito entre seus colegas de trabalho: Corte o cabelo e vista-se socialmente, mesmo que somente por um dia.
O silêncio se deve ao treinamento que fiz durante toda a semana. Muito produtivo, diga-se de passagem. Além do instrutor, estive acompanhado de dois excelentes profissionais da empresa. Completei um mês de casa ontem e nunca tive tão empolgado. Apesar de ser uma área completamente nova pra mim, está sendo muito bacana e motivante enfrentar esse trabalho diariamente. Espero mesmo que a balança sempre seja favorável, como foi nesses primeiros trinta dias.