O caderno Mais! da Folha de São Paulo de ontem traz uma série de boas matérias sobre a corrida espacial e o Projeto Apollo. A que mais me chamou a atenção foi sobre a vida “pós-Lua” dos 12 que pisaram. Todos, sem excessão, tiveram problema com alcoolismo e depressão. A maioria não conseguiu sair. Os dois da Apollo 11 vivem(viveram) momentos distintos. Neil Armstrong por exemplo, não dá autógrafos e vive recluso. Já Buzz Aldrin conseguiu superar a fase barra pesada e hoje é uma das “estrelas” do programa Apollo.
Em sua autobiografia, Aldrin pergunta: “O que um homem pode fazer como segundo ato depois de andar na Lua?” E ontem estava conversando com meu pai sobre esse assunto. Pisar na Lua deve ser um soco na sua vaidade. Para Armstrong, Aldrin e os outros dez, saber que foram em um local que ninguém mais chegou – nem mesmo chefes de Estado – é de uma satisfação e importância tremendas. Porém, deve ser muito difícil fazer alguma coisa mais “importante” do que chegar à Lua. Como achar motivação para arrumar um outro trabalho?
Este post entra uma hora antes da Apollo 11, 40 anos antes, pousar na Lua. Para lembrar a data, o John F. Kennedy Presidential Library and Museum recriou toda a missão em tempo real, com direito aos áudios da missão e perfis no twitter do Centro de Controle, da nave e da Eagle, o modulo lunar. Acompanhei sempre que possível e deixei o áudio ligado no trabalho desde a hora que cheguei hoje.
Você tinha que ter uma boa dose de insanidade pra topar fazer a missão. Aliás, não só a missão, mas todo o projeto Apollo. Entrar em um caixote, ser impulsionado céu acima e acreditar que iria voltar. Fico imaginando o tamanho da repercussão do fato na época. Acho que só teremos algo similar quando voltarmos à Lua ou chegarmos em Marte.
Faz um tempinho que adotei a bicicleta como meio de transporte, isso não é nenhuma novidade. Durante uns três meses me desloquei diariamente para a labuta em cima da bike. Mesmo com a mudança de emprego – para o bairro mais alto da cidade – tento ir pelo menos uma vez por semana pedalando, geralmente às sextas, principalmente para fugir do trânsito maluco na volta.
Em todo este tempo, só xinguei os motoristas e motoboys que criaram situações de risco. Não acho que todo motorista é um “monstro sobre rodas”, não os culpo por irem de carro para o trabalho todos os dias. A vida é feita de escolhas e cada um faz a sua.
Infelizmente, a ala radical e xiita está presente até sobre duas rodas. A prova disso é esta matéria. O motorista em questão é marido de uma amiga da minha mãe. Os dois trabalham em Brasília a pouco tempo, estavam indo para o aeroporto e de fato, erraram o caminho, caindo no Eixão. O que a matéria não fala é que os ciclistas que cercaram eles começaram a gritar coisas do tipo “vocês são culpados por atropelamentos de ciclistas”, “monstros motorizados” etc. Dicotomia é uma das formas de argumentação mais idiotas que existe. E acontece de todas as formas. “Viva Linux, morte ao Windows”, “Vamos matar todos os torcedores do time tal, que são safados, sem vergonhas e ladrões” e por ai vai.
No caso específico desse post, o cara errou (e foi multado) porque o fechamento do Eixão aos domingos é praticamente uma instituição da cidade. Mas tenho certeza que o comportamento dos ciclistas envolvidos na confusão não é o que vai convencer alguém a trocar carros por bicicletas em qualquer parte do mundo.
Eu me divirto com o poder midiático de Rubinho Barrichello. A turma radical que transforma o piloto em Judas já é nossa velha conhecida. Atualmente vejo que a corrente pró-Barrichello existe em grande número, e que também beira o radicalismo.
Vamos aos fatos: Rubinho largou bem e andou na liderança. Mas a equipe fez uma estratégia errada, errou um pit stop e ele não andou rápido quando deveria. Resultado, chegou em sexto. Na saída da prova, como já lhe é tradicional, falou atrocidades do tipo “A equipe deu um show de como perder corrida” e “não quero ouvir blá-blá-blá”.
Foi o necessário para a corrente Pró Rubinho ficar em polvorosa. Acusam jornalistas de “ódio ao Rubinho”, falam de boicote da equipe entre outras coisas. Uma quantidade de bobeira sem fim. De uma hora pra outra, ele virou o salvador da pátria, o messias do automobilismo brasileiro. Ele não é. É esforçado, competente e entende muito do que faz. Rubens não precisa dar satisfação pra todo mundo sempre. Não deu, não deu, bola pra frente.
Em tempo, sou da ala neutra. Gosto do piloto, confio na sua capacidade, mas acho que passou da idade de ter esses acessos de fúria e rebeldia. E mostra mais uma vez como ele perde chances históricas de ficar calado.
De um tempo pra cá, tenho preferido ouvir a Band News FM do que a Itatiaia pela manhã. A abordagem e a linguagem utilizada deixam as matérias da Band mais agradáveis do que as da “rádio de Minas”. Outro ponto que conta muito é o fato da Band News não (aparentar) ter o “rabo preso” que a Itatiaia tem com os governos municipal e estadual.
De fato, acho que a Itatiaia anda meio perdida no tempo, sem fazer algo legal e ainda presa a formatos antigos. Não acredito que ela esteja perdendo audiência, principalmente porque ela tem penetração em todas as camadas sociais de BH. Só sei que o perfil, principalmente do Jornal da Itatiaia, não me agrada mais.
Eu sempre gostei da Revista VIP. Tanto que sou assinante há pelo menos dez anos. Nesse tempo li muitas matérias engraçadas e ensaios interessantes. Os textos e as colunas me agradam e, modéstia à parte, acho que meu estilo de escrever casa bem com a revista.
Mas a revista sempre pisa na bola, principalmente quanto tenta fazer a convergência entre o hype e mulher bonita. Foi assim com os “avatares mais quentes do Second Life” e agora com o ensaio das “twitteiras mais gostosas”.
Primeiro: listar as “twitteiras mais gostosas” em 2009 é tão idiota quanto listar as “fotologueiras mais gostosas” em 2004/5. Com a singela diferença de que o fotolog era entupido de auto-fotos de jovenzitas com decotes profundos e expressões lascivas. Se você fosse uma “gostosa”, você tinha muitas oportunidades para mostrar todo o seu gingado através das fotos. Com o Twitter você tem uma chance só: sua foto de perfil. A culpa não é da VIP, é claro. Alguns idiotas resolveram compilar a lista e a revista foi na onda.
Segundo: A graça do twitter está diretamente relacionada ao que você posta. Caso contrário, não faz sentido você acompanhar as atualizações da pessoa. Apenas um dos três perfis escolhidos pela VIP me trouxe um conteúdo mais ou menos interessante. As outras duas não me apeteceram nem por um segundo.
Terceiro: O efêmero faz parte do jornalismo. No fim do ano mal vamos lembrar dessas mocinhas na revista. Pode ser até que o twitter tenha caído em declinio e tudo voltará ao “normal”. No entanto, fica a curiosidade pra saber qual será a próxima rede social que terá sua compilação de mulheres gostosas.
PS: Acho que esse assunto talvez possa trazer uma discussão interessante sobre a eterna busca pelos 15 minutos de fama. Os decotes profundos e peitorais malhados do fotolog foram também para o orkut. Resultado: Milhões de recados e amigos. Agora a onda é chegar aos milhões de seguidores com o desafio de não ter nada relevante para falar. Talvez a VIP ajude nesse ponto, não?
Só para dar um aviso aos que são de fora.
Quem lê os portais e vê os jornais pode estar assustado: BH está recheada de casos de gripe suína. Devo dizer que o clima nas ruas não reflete isso. Pelo menos não por onde ando todos os dias. Não vejo ninguém de máscara ou algo do tipo. Alguns colégios suspenderam aulas e colocaram alguns alunos em quarentena, mas só.
Vale até uma reflexão. O excesso de notícias, o medo e as pessoas com máscaras passam aquela sensação que a gente só vê em filmes tipo “Eu Sou a Lenda” ou “Resident Evil”, de contágio e morte imediatos. Claro que os cuidados devem ser tomados e isso foi (está) sendo feito. Mais como precaução do que por medo, suponho. De qualquer maneira, nem de longe a população por aqui está em pânico.