Helinho deu a volta por cima. Acusado de evasão de divisas e sonegação de impostos nos Estados Unidos, poderia passar os próximo 35 anos de sua vida atrás das grades. Durante os trâmites jurídicos, sua equipe cedeu seu lugar à outro piloto. Ele, sua irmã e advogado foram inocentados e no fim de semana seguinte Helinho já estava de volta ao cockpit.
Veio maio, mês da tradicional 500 milhas de Indianapólis. O piloto cravou a pole e venceu a corrida, pela terceira vez. Não nos cabe falar se ele é culpado ou inocente em suas acusações. Embora estivesse torcendo pelo Tony Kanaan, fiquei feliz em ver a emoção do Helio em sua entrevista após a prova. Um choro digno de quem passou por um stress tremendo, chegou no fundo do poço e conseguiu sair.
Na quarta de manhã, o telefone tocou uma, duas, três vezes, todas vindas de um número desconhecido. Atendi a terceira, poderia ser urgente, vai entender. Na ligação a cobrar uma pessoa falava que minha irmã (citando o nome quase completo dela) teve o carro roubado, com todos os documentos e ela queria falar comigo. Ok, poderia acontecer. O que estava errado era ouvir a minha irmã gritando com a voz do Don LaFontaine: “Por favor, me ajuda, me tira daqui, eles vão me bater!”
No momento saquei que era um golpe. “Sua irmã está aqui com a gente, nós vamos matar ela!”, “Sai de carro e tira dinheiro”, “Sei que você é jornalista então não sai ligando pra polícia”. Estava levando tudo numa boa, mas tinha um problema. O cara sabia TODAS as informações da minha família, porque ele estava fazendo terrorismo com a senhora que trabalha lá em casa. Eu fui enrolando o sujeito até conseguir falar com minha tia, que foi até minha casa e desligou o telefone. Nessa hora, o “sequestrador” disse: “Vou matar sua irmã!” “Então mata!”
Quando cheguei em casa para almoçar morri de dó. A Do chorava, falando que jamais imaginou cair nesse golpe. Disse que os filhos da puta ligaram falando que eram da polícia, que tinha acontecido um acidente com minha irmã e ela se desesperou e começou a falar. Um comentário me deixou assustado: Segundo ela, ligaram falando o nome inteiro da minha irmã. Será uma sofisticação do golpe?
De qualquer maneira, deu uma raiva tremenda da situação. O cara conseguiu foder meu dia e quase matar do coração uma senhora de 70 anos. Não nego que dá um medinho, mesmo sabendo que era mentira. O diálogo desses sacanas é cheio de buracos e falhas e por isso fiquei mais calmo. Amigos me recomendaram fazer um BO e mudar o número do meu telefone, mas não sei se as duas ações vão adiantar alguma coisa.
O esquema é ir levando e aprender com a situação, além de conviver com a péssima sensação de impotência e medo. Ê merdinha!
Robert Randolph & Family Band – Ain’t Nothing Wrong With That

É uma pena ter pouca coisa disponível dessa galera por aí. Essa música é incrivelmente dançante e gostosa de ouvir.
Após dois dias de instabilidade, o blog aparentemente voltou ao normal. Peço desculpa aos meus quatro leitores!
Para quem é familiarizado com o a série Harry Potter, existe um objetivo mágico chamado Penseira. Nela, o mágico-fodão-mor Dumbledore, pode depositar e armazenar pensamentos antigos, tirando-os da sua cabeça com a varinha. Dessa forma, o pensamento fica ali, pra quando quiser relembrar ou consultar. Mas o pensamento sai da cabeça, de modo que ele não precisa se preocupar com ele.
Era tudo o que eu queria atualmente. Uma penseira. Tirar alguns problemas da minha cabeça, para concentrar em outros. Acho que o índice de solução de pepinos aumentaria incrivelmente, deixando minha vida mais leve.
#prontofalei.
Não adianta, criamos os cachorros para o mundo. Para quem não sabe, tudo começou em Dezembro, na manhã do dia 24, quando recebi a ligação de uma moça. Ela passeava com seu whippet pelo shopping, quando meu padrinho trocou algumas palavras, comentando que eu tinha uma whippet fêmea, blá blá blá. No mesmo dia, levei a Naomi na casa dela, onde passou a noite.
21 dias depois, no começo de janeiro, o resultado: Naomi esperava cinco filhotes. Vale ressaltar que desde o começo eu sabia que não ficaria com nenhum, para o bem da relação com minha mãe. Pois bem, os filhotes nasceram no sábado de carnaval. E desde então foi uma relação de (muita) alegria e (algum e eventual) ódio. Alegria por ver os bichinhos crescendo e o cuidado da Naomi com eles. Ódio pelo fato de vencerem toda e qualquer barreira entre o quartinho e a área, o que ocasionava destruição e cansaço.
Eles foram crescendo e saindo. Primeiro, os três machos, que eram tratados pelos codinomes Piratinha, Brancolino e Encardidinho. Depois uma fêmea, a Brancolina, que foi “batizada” de Lila. Essa foi para a Carol e está uma gracinha.
Ficou a Lola, até então chamada de Yolanda, dada a semelhança com a cachorra homônima da minha tia. Tinha prometido ela para meu padrinho, que me deu a Naomi. Como ele mora em São Paulo, a logística de entrega é (era) mais complexa. E a Lola foi ficando, crescendo e se divertindo aqui em casa.
Mas hoje ela foi-se para São Paulo. Minha irmã, responsável pela entrega, disse que foi um momento de partir o coração. Mas não adianta, o apego traz essas coisas. A casa está mais calma e vazia, Naomi está mais quieta. Pela primeira vez em dois meses, posso deixar todas as portas da casa abertas, sem o medo de achar um xixi fora do lugar ou ver uma cachorra pirralha correndo para a área com uma meia suja entre os dentes.
O que me faz concluir uma coisa: Criar cachorros sabendo que vai ficar sem eles é uma sacanagem. Você cansa, se desgasta, gasta uma grana e não tem a recompensa de vê-los. Ê saudade!
Notícia do UAI hoje comenta que População acha que BHTrans multa para ganhar dinheiro. Sinceramente, discordo. Como também discordo da idéia de que “cada fiscal tem a meta de dar 18 multas por dia”. Qualquer um que anda pelas ruas de BH vê que é MUITO fácil canetar 18 infratores diariamente. Só de estacionamento proibido eu vejo pelo menos uns 20 casos todos os dias.
Antes que falem alguma coisa, não defendo a BHTrans. Acho que é uma empresa de engenharia de trânsito que não faz o que se propõe e não gasta um centavo em campanhas educativas. Pior, também não se esforça em melhorar sua imagem junto aos cidadãos.
Enfim, o que eu quero dizer é o seguinte. O problema das multas, na minha humilde opinião, gira em torno de duas coisas: falta de educação e Lei de Gerson. Quando só andava de carro já tinha essa opinião. Agora que também rodo de bicicleta, isso fica mais evidente. É impressionante como o trânsito da cidade agarra por conta de engraçadinhos e espertinhos, que fecham cruzamentos, param em local proibido (às vezes embaixo das placas), tentam entrar em vias quando não há mais espaço, estacionam em esquinas e pontos de ônibus, etc. Ai a BHTrans multa e o sujeito vem reclamar, argumentando que é uma injustiça, uma sacanagem e coisas do tipo. Pura perda de tempo.
É preciso colocar na cabeça das pessoas que dirigir e viver em uma cidade não constituem exercícios solitários. Ou seja, não vou dirigir só pra mim e o resto dos motoristas que se fodam. Por outro lado, não é preciso ser bonzinho. Eu por exemplo chego a ser chato quando vejo motoristas folgados tentando se dar bem em cima de mim. Não deixo mesmo, fico estressado, brigo e reclamo.
Esse é um assunto que dá muito pano pra discussão, muito mesmo. E que seria bem legal se essa discussão fosse levada para as ruas, através de campanhas, movimentos, sei lá. Ideal seria uma aproximação da BHTrans com a população, trabalhando em conjunto. Só que isso parece que vai demorar. Até lá, parece que, infelizmente, a lei do “cada um por si” vai ser a única em vigor na cidade.
E só para deixar registrado, domingo, dia 3, este distinto espaço completou seu sétimo aniversário. Um pouco vazio, é verdade, mas ainda muito querido!
Só para registrar o 15º aniversário da morte de Ayrton Senna, dia 1º de maio. Engrosso o coro para todas as saudades e homenagens feitas pelos sites especializados em automobilismo.
Só digo uma coisa: Com ele vivo, o Barrichello dificilmente falaria tantas asneiras. Sabe como é, ele seria um mentor, um guru, que diria ao Rubinho: “Pelo amor de Deus, meu filho, pense antes de falar”.