Capítulo 1: Nada como um pouco de drama para adicionar emoção em um dia comum
Saí da casa do Gui rigorosamente no horário, pra chegar com folga em Stansted, onde eu ia pegar o vôo pra Helsinki, às 11 da manhã. Peguei o trem às 8h40 e chegaria no aeroporto às 9h25. Na única parada, em Tottenham Hale, o condutor avisa que “devido aos atrasos na linha, esse trem não parará em Stansted. Os senhores serão desviados para a estação tal onde pegarão um ônibus pra ir pro aeroporto”. Isso demoraria mais de uma hora, e já eram 9h10. Ou seja, meu tempo de sobra tinha ido pro espaço. Sorte de todos no ônibus que o motorista, em bom português, desceu a lenha na estrada e cheguei quatro minutos antes do check-in da Blue1 fechar. Tudo em vão, porque o vôo tinha sido cancelado, sem maiores explicações.
Fomos mandados pra Heathrow, que é o maior aeroporto de Londres e fico no extremo oposto de Stansted. Uma hora e tanto depois, lá estavámos para ser encaixados em algum vôo pra Finlândia. Achei que tinha dado sorte, porque me colocaram no vôo da Finnair, que saíria às 18hs e chegaria aqui em Helsinki às 23h. (São três horas de vôo mais duas de fuso). Só pra manter a regra do dia o vôo também atrasou e eu pousei pouco depois da meia-noite. Pelo menos, a Finnair é a segunda companhia mais segura do mundo. O último acidente com mortes foi em 1963, o que me deixou tranquilo. Comissariado alvo e loiro, igual a quase todos os passageiros.
Parte 2: Helsinki
Foi por o pé na cidade que deu uma nevasca. Meu primo disse que foi igual garoa, porque neve de verdade é mais pesado que isso. Hoje dei um passeio pela cidade, munido de um guia que indica seis caminhos a pé passando por pontos de interesse. No geral, é uma cidade muito bonita, que deve ser mais feliz no verão. Os finlandeses ficam mais silenciosos e introspectivos no frio. Desnecessário dizer que o idioma é impossível de ser compreendido. 5% da população fala sueco e existe uma lei obrigando o uso desse idioma em placas e avisos. A sorte que a população jovem fala inglês, o que ajuda bem. Destaque para a Cadetral e a praça do Senado. A Cadetral impressiona pelo tamanho, mas a decoração interna é muito simples.
As fotos que acompanham esse post já são de Helsinki, e estão com link para o Picasa. Legendas em breve lá.
O pior do terror não é o fato em si, mas o medo dele acontecer. Ainda mais quando você vê durante o desembarque, uma porção de cartazes falando que “as leis de imigração estão mais severas, para garantir a entrada das pessoas corretas no Reino Unido”. Sei que não devia nada ao britânicos, mas vai saber. Todo o discurso que eu tinha decorado não foi necessário. O oficial da imigração foi muito cortês e tranquilo, diferente das outras vezes.
Uma vez dentro, é bom dizer: muito engraçado voltar em uma cidade do exterior que você já conhece. Te dá mais liberdade para ver e rever as coisas. Dessa vez estou hospedado em Swiss Cottage, um bairro mais chique, situado no noroeste de Londres, pertinho de Camden Town.
Já revi alguns museus e lugares. E vou ficar nisso até terça, quando vou pra Helsinki, que será, sem dúvidas, a parte mais inusitada da viagem.
A fase italiana da viagem acabou. Logo mais embarco para o Reino Unido e no dia 15 para Helsinki, na Finlândia. Vamo que vamo!
Ao sairmos do hotel de Siena, o dono comentou que passaria o carnaval em Natal e queria dicas de onde ir no Brasil. Tutu sugeriu que ele fosse ao Rio, com as devidas recomendações de segurança. O sujeito, um italiano quase nos 30 anos e de ótimo coração, argumentou: “Ah não, o Rio é perigoso, me falaram que parece Roma e Napoles”. Tutu concordou: “Vai preparado pra Napoles, então”. O sujeito, sem pestanejar, respondeu: “Você não sabe como é Napoles. Dizem que Napoles é tremendo, não pode ser pior que o Rio, você não entende”.
Para os desavisados: O preconceito dos italianos com o povo do sul do país é imenso. Para eles, os do sul são desordeiros, malandros e ladrões. E parece que Napoles, talvez erroneamente, seria a cidade onde isso mais aparece.
A quem interessar possa, algumas fotos da viagem estão disponíveis no Picasa. É clicar e se divertir.
Vimos Siena em apenas um dia. Saímos de Roma, chegamos na cidade bem tarde, achamos o Bed and Breakfast e dormimos. Como todas as cidades que fomos, Siena também é medieval e também tem seu centro dentro dos muros. Mas é uma cidade de 54 mil habitantes somente. O Duomo também é bem bacana. Depois de Siena, no caminho até Bologna, passamos em San Gimigniano, uma cidadezinha linda e altamente recomendada. A única comparação que achei foi, bem mais ou menos, Hogsmeade, a cidade fictícia de Harry Potter*. Ambas ficam perto de Florença, na região da Toscana. Foi a região mais bonita e onde comi melhor, sem dúvidas.
Em Siena, aliás pude ver bem como funciona o esquema dos horários italianos. Aqui quase tudo fecha pro almoço, excluindo os restaurante obviamente. O grande lance é que ninguém respeita isso. A loja do Siena, time local (óbvio) fechava às 13h. Sem saber disso, cheguei às 12h30 e deparei com um aviso na porta “Volto logo”, que por lá ficou até a hora do almoço. Pra todo lugar isso é assim. Os italianos não são muito chegados em regras.
* Do mesmo jeito que a Ponte Vecchio em Florença certamente poderia ser o Beco Diagonal.
Definitivamente, taxista são iguais em qualquer lugar do mundo. Logo, os de Roma não poderiam ser diferentes. Estávamos perto do Campo de Fiori, e Cristian, namorado da Tutu, perguntou para um taxista quando seria mais ou menos a corrida até o hotel. Eles pagaram 30 euros na noite de Reveillon, mas de bem mais longe. Mais cedo, minha mãe pagou 18 do mesmo Campo de Fiori.
O taxista, leito de forte sotaque romano, foi grosso: “Não posso te falar. Depende do trânsito, do caminho e tudo mais”. “Ok”, respondeu o Cristian, se dirigindo para o carro de trás. Nisso, o primeiro taxista saiu de seu carro e resolveu discutir. “Você não pode fazer isso, parece que estou querendo te passar pra trás, o que não é verdade”, argumentou. De súbito, o interesse dos romanos e dos turistas foi aumentando e uma rodinha começou a se formar em volta da discussão. “Além disso, sou o primeiro da fila, você não pode ir para o táxi de trás”. Como todo bom italiano, Cristian não se intimidou: “Claro que posso, sou cliente escolho o que quiser. E se for assim, podemos dividir as pessoas. Duas em cada carro”. Felizmente a discussão terminou “bem”. O primeiro taxista arrumou outros clientes. E nós quatro (além de nós três, Mariana estava com a gente) seguimos com o taxista do carro de trás, uma espécie de Ali G romano. E pagamos só 12 euros.
Partimos no finzinho da manhã de Florença no dia 31 em direção à Roma. O medo, perfeitamente plausível, era de ficar perdido na entrada da cidade, o que tinha acontecido em todas as etapas até então. Ademais, já haviam nos alertado sobre o caos do trânsito romano, ainda mais em véspera de ano novo, com uma cidade completamente lotada de turistas.
Tivemos muito sucesso na empreitada. Chegamos em Roma, fomos para o Hotel e preparamos pro Reveillon, que foi na casa de uma ex-professora da Tutu. Divertido, porém quietinho demais. Fomos de carro, vimos a Praça de São Pedro iluminada (incrível) e enfrentamos um ultra engarrafamento na volta.
No dia seguinte, saímos do hotel e conhecemos tudo a pé. Pra quem tiver curiosidade, pegue um mapa e acompanhe. Saímos da Via Lisbona, descemos até a Villa Borghese, Via Veneto (todas as coisas chiques e caras estão lá, tipo suco de laranja custando uns 6 euros), Piazza di Spagna, Piazza del Popolo, Piazza Navona (onde fica a suntuosa embaixada Brasileira), Campo de Fiori (onde Giovanni Bruno foi bruschiatto) e Fontana de Trevi, além do Pantheon e do Coliseu. Por ser o primeiro dia do ano, rolaram vários concertos nas diversas praças. Na Piazza di Spagna, era uma banda marcial da polícia. No Campo de Fiori, várias bandas de High Schools americanas. E vi uma missa cantada em Latim em uma igreja. Roma é a cidade mais fantástica da Itália. Mais de dois mil anos de história reunidos na cidade que foi berço do império mais importante da história.
No dia 2, fomos ao Vaticano. Creiam ou não, é recomendadíssimo mesmo pros não-católicos. A Praça de S. Pedro e a Basílica são fantásticas. Ao entrar na Basílica, se vê a Pietà de Michelangelo logo à direita. Depois todo o resto, fantasticamente decorado, além do altar posicionado acima do túmulo de São Pedro e o Duomo, imponetente, feito também por Michelangelo. Esse cara era realmente foda. O tamanho do Duomo faz jus ao tamanho da fila para ele. Por clemência de tempo, não pude conhecer.
Praticamente inexistente no entanto era a fila para ver os túmulos dos papas. Só de curiosidade fui ver. Digo uma coisa, a de João Paulo I é mais bacana que é a de seu sucessor. Claro que a de João Paulo II é mais visitada, e causa grande emoção nos fiéis. De maneira geral, ele é mais popular que o atual, basta ver a quantidade de postais, cartazes com sua foto.
- Sempre são dois pratos: o “primo piatto”, que é uma massa ou um caldo, e o “secondo piatto”, que é uma carne. Dependendo do tamanho do prato e da sua fome, você só vai precisar de um.
- O vinho da casa pode ser uma boa e barata opção.
- Mente e barrigas sempre abertas. Na comida italiana, existe muito mais coisa do que imaginamos.
- Panino (sanduíche) do momento: Proschiuto cru, queijo brie, rúcula e uma fatia de berinjela.
- A maioria dos restaurantes defenderá com unhas e dentes o tiramisú da casa. Dizem que foi inventado em Roma. Verdade ou não, comi os melhores lá.
- Não só para os restaurantes: “Prego” significa muita coisa. “Pronto”, “de nada”, “aqui está”, por exemplo.
- Por último e não menos importante: Gaste o tempo que quiser para escolher, mas seja breve e objetivo quando for pedir. Garçons e garçonetes odeiram ficar esperando os indecisos.