Como bom fã de Foo Fighters, fiquei surpreso ao descobrir que Taylor Hawkins, o ótimo baterista da banda, tinha lançado seu disco solo. E acreditem, o resultado é MUITO bom. Taylor gravou as baterias (duh!) e os vocais. Desnecessário dizer que ele é melhor baterista do que vocalista, embora não faça feio. O disco é muito mais solto do que as gravações do Foo Fighters, com mais espaço para outros estilos musicais. Algumas músicas me lembraram Queens of The Stone Age e algumas influências de The Police e Queen. E minhas preferidas são “Louise”, “Walking Away”, “End of the Line” e “Get Up I Want to Get Down”.
Em meu imaginário, “Trekking Urbano” era um termo criado por Bizafra, meu primo, e Pedrin, grande brother, que significava percorrer grandes distâncias a pé dentro da cidade, sendo o percurso mais comum o de casa para o trabalho. Qual não foi minha surpresa ao ler o jornal e saber que ontem realmente ocorreu uma prova de trekking dentro de BH?
Achei a iniciativa muito interessante. Poderiam, inclusive, pensar em uma prova para os ciclistas dessa cidade, que tal?
Após longo e tenebroso inverno – período em que meu Cruzeiro não conseguiu engrenar em uma série de bons jogos e vitórias – resolvi voltar ao Mineirão no sábado. Aproveitei para levar meu priminho que tardiamente, aos dez anos, fez seu debut no estádio. O jogo foi Cruzeiro e Guarani de Divinópolis, válido pela segunda rodada do Campeonato Mineiro. Parecia a oportunidade perfeita para levar o menino ao Mineirão, já que a previsão de público era de cinco mil pessoas.
Porém era o primeiro jogo da equipe em Belo Horizonte no ano. Some isso a conquista cruzeirense da Copa São Paulo de Juniores durante a semana e temos torcedores com motivação suficiente pra irem em um número muito maior. Resultado: zona para comprar ingressos. Filas interminavéis, tumulto, desrespeito. Ingressos sendo confeccionados na hora e em prestações. É sabido que a administração Perrella não gosta de jogar dinheiro fora. Pensando assim, seria impensável pra eles gastar em vão R$0,53 referentes ao custo do ingresso que talvez não seja vendido. Mas é melhor gastar essa grana do que deixar de ganhar R$15,00 do torcedor que comprou e entrou no campo.
Enfim, passado esse drama, ingressos comprados, jogo rolando e o verdadeiro objetivo desse texto: a realidade do Mineirão sem cerveja. Parece que para coibir a violência, proibiram a comercialização de bebidas alcóolicas não só dentro, mas nas redondezas do estádio. De fato, o Mineirão me pareceu mais ordeiro e calmo. Contudo, o tradicional feijão tropeiro perdeu um pouco da graça. Os torcedores nas arquibancadas e no rádio clamavam pela volta da cerveja, alguns argumentavam que “só os marginais bebem e causam confusão”. Será? Acho que não. Segundo estatísticas, a esmagadora maioria dos atendimentos médicos feitos no estádio são decorrentes de excesso de álcool. Nesse universo, outra avassaladora maioria são de pessoas que se machucaram sozinhas, caindo, tropeçando, etc. E as brigas, por incrível que pareça, são poucas.
Conclusão: Quem briga no Mineirão é porque foi com essa finalidade. Isso é coisa de marginal. Por outro lado, se a polícia teve menos trabalho e o posto médico também, é sinal de que a falta de cerveja contribuiu para a ordem. Contudo, como bem me disseram “Mineirão não é convento”, logo, caberia o álcool ali. Mas, o que é mais importante, o futebol ou a cerveja? Quer dizer, o cara vai ao campo pra assistir o jogo ou vai para tomar várias latas e de quebra assistir uma pelada?
Ah, o placar foi 4 a 0 para o Cruzeiro.
Era o que faltava. Como se não bastasse a “censura” aos portais, agora o COB resolveu proibir que os atletas mantenham blogs ou sites pessoais durante os Jogos Pan-Americanos.
Em dezembro, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) enviou um comunicado às confederações brasileiras com uma série de restrições a atletas e dirigentes para o Pan-Americano do Rio. As principais proibições dizem respeito a site pessoais e blogs.
“Nenhum atleta e/ou oficial da Delegação Brasileira dos XV Jogos Pan-Americanos Rio 2007 pode atuar como repórter, produzindo textos ou pesquisas mesmo para fins editorias, enviar periódicos ou diários on-line para sites na Web durante o período dos XV Jogos Pan-Americanos”, afirma o comunicado, assinado pelo presidente do COB e do Comitê Organizador do Pan do Rio, Carlos Arthur Nuzman.
É tanta burrice junta que me dá raiva. Parece surreal de tão imbecil. Paralelamente, Marcelo me manda um e-mail com editorial da Folha de São Paulo da última quarta-feira. Assinado por Mário Magalhães, o texto fala do estouro no orçamento das obras para o Pan.
O comportamento dos governos coincide. Em 2003, o “Diário Oficial” do município anunciou que o estádio olímpico custaria R$ 60 milhões (30% a mais em valor atual) e ficaria pronto em 2004. Está em R$ 350 milhões e segue em obras.
A então governadora Rosinha Matheus cravou em 2005: a reforma do Maracanã para o Pan de julho de 2007 sairia por R$ 71 milhões. O orçamento deu um salto, triplo, para R$ 232 milhões.
Ainda no Ministério do Esporte, Agnello Queiroz apalavrou: o Complexo Esportivo de Deodoro exigiria R$ 45 milhões dos cofres federais. Já lhes subtrai R$ 94 milhões.
Por essas e outras que eu fico pensando se temos realmente estrutura para fazer um Pan e, pior, organizar uma Copa do Mundo.
Mais uma boa surpresa vinda do “Tráfico de Música Boa” que mantenho no trabalho.
Three little birds, sat on my window
And they told me I don’t need to worry.
Summer came like cinnamon ,so sweet,
Little girls double-dutch on the concrete.
Eu fico tentando imaginar porque a bela* e fantástica* revista* Veja preferiu fazer do amor entre cães e seus donos sua matéria de capa, quando na mesma semana, a poucos metros do prédio da redação, uma cratera engoliu seis pessoas, uma dúzia de caminhões e uma van.
Será que tem a ver com o fato de ser uma revista de direita, assim como o governo de São Paulo? Ou teria outro motivo, tipo superexposição do assunto*, coisa melhor pra falar* ou algo do tipo?
* Fui sarcástico.
Gostei de “Muito além da ficção“. A começar pela história: Will Ferrell é Harold Crick, um auditor da Receita Federal, sozinho e metódico. Conta os passos pra chegar até o ponto de ônibus, quantas vezes ele escova cada dente, qual nó de gravata é o mais rápido e por aí vai. Crick então percebe a presença de uma narradora em sua vida, uma voz que vai descrevendo minuciosamente cada ação e sentimento. A narradora é Kay Eifell (Emma Thompson), escritora de romances que não consegue terminar o livro onde Ferrell é o personagem. Nesse meio tempo, ao auditar uma padaria, o solitário fiscal se vê interessado por Anna (interpretada por Maggie Gyllenhaal, potencial candidata a ser minha esposa), a dona do estabelecimento, que é o exato oposto de Crick: cabeça aberta, nada sistemática e etc. Não vou contar mais, mas a busca de Harold Crick pela solução do problema, seu relacionamento com “a voz” e principalmente, a mudança na sua maneira de viver a vida são muito bacanas.
Maggie está maravilhosa e tem uma tatuagem linda de morrer no braço. Ela tem um sorriso e uma presença que deixa qualquer cara de boca aberta. Will Ferrell conseguiu provar que não é só um ótimo comediante. Dustin Hoffman, Emma Thompson (e seu sotaque inglês maravilhoso) e Queen Latifah (que me surpreende positivamente sempre) também estão muito bons.
Vale até um pensamento bobo: E se você fosse realmente um personagem de livro? Como seria seu relacionamento com quem escreve?
Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com a minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão
COB proíbe transmissão ao vivo dos Jogos Pan-Americanos pela Internet
Apesar de “reconhecer a Internet como importante meio de comunicação e promoção do esporte” em sua diretriz à imprensa, o CO-Rio impôs fortes restrições: essa mídia não poderá apresentar nenhuma reportagem com imagens da competição, entrevistas exclusivas e até mesmo treinos em locações oficiais.
É um assunto até delicado, embora tenha a certeza que a decisão é uma medida imbecil. Primeiro porque tem cara de uma censura velada contra os portais e segundo porque ela é completamente inútil e cheia de buracos. Um veículo que atinge 21 milhões de pessoas no país não pode ser simplesmente largado pra lá. Aliás, é a segunda vez que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) comete essa burrice. Em 2004, os jornalistas de web sequer conseguiram credenciamento para a cobertura dos jogos de Atenas. Adicionalmente, todos os canais de TV e emissoras de rádio possuem portais. Como você fala pra Globo ignorar o elefante branco que é a globo.com? A Globo tem todo aquele material armazenado no Globo Media Center e certamente tentará colocar lá também o conteúdo dos Jogos Pan Americanos que ela tanto patrocina. Em menor escala, como proibir a Itatiaia de transmitir a sua programação pela web?
A parte furada dessa determinação é a proibição que impede os portais de disponibilizar vídeos e fotos durante ou logo após os ventos. Contudo, esqueceram-se dos celulares e câmeras digitais dos que pagaram ingresso pra ver os jogos. Certamente o Youtube será recheado de vídeos dos eventos. Melhor assim.
No Brasil, o aparelho de TV está presente em 97% dos domicílios e a internet em 14% dos domicílios com forte concentração nas classes A e B. Apenas 5,6% do total de domicílios no país possuem acesso a redes de banda larga, necessária para reprodução com qualidade de imagens em movimento.
Outra coisa que eu não engulo é a argumentação acima. Quer dizer, vou ignorar a possibilidade de transmitir a informação por outro meio só porque 5,6% dos domícilios no país utilizam banda larga? Sei que parece passional demais e ate ingênuo até certo ponto, mas analisando de várias formas (usuário, jornalista, [ex-]profissional de internet) me parece ignorância demais esquecer por completo (seja por pressão dos outros meios ou burrice mesmo) a internet.