Desde 2002 falando bobagem (e coisa séria também)

Taylor Hawkins & The Coattail Riders

Taylor HawkwinsComo bom fã de Foo Fighters, fiquei surpreso ao descobrir que Taylor Hawkins, o ótimo baterista da banda, tinha lançado seu disco solo. E acreditem, o resultado é MUITO bom. Taylor gravou as baterias (duh!) e os vocais. Desnecessário dizer que ele é melhor baterista do que vocalista, embora não faça feio. O disco é muito mais solto do que as gravações do Foo Fighters, com mais espaço para outros estilos musicais. Algumas músicas me lembraram Queens of The Stone Age e algumas influências de The Police e Queen. E minhas preferidas são “Louise”, “Walking Away”, “End of the Line” e “Get Up I Want to Get Down”.


Trekking Urbano

Em meu imaginário, “Trekking Urbano” era um termo criado por Bizafra, meu primo, e Pedrin, grande brother, que significava percorrer grandes distâncias a pé dentro da cidade, sendo o percurso mais comum o de casa para o trabalho. Qual não foi minha surpresa ao ler o jornal e saber que ontem realmente ocorreu uma prova de trekking dentro de BH?
Achei a iniciativa muito interessante. Poderiam, inclusive, pensar em uma prova para os ciclistas dessa cidade, que tal?


Cadê a cerveja no Mineirão?

Após longo e tenebroso inverno – período em que meu Cruzeiro não conseguiu engrenar em uma série de bons jogos e vitórias – resolvi voltar ao Mineirão no sábado. Aproveitei para levar meu priminho que tardiamente, aos dez anos, fez seu debut no estádio. O jogo foi Cruzeiro e Guarani de Divinópolis, válido pela segunda rodada do Campeonato Mineiro. Parecia a oportunidade perfeita para levar o menino ao Mineirão, já que a previsão de público era de cinco mil pessoas.

Porém era o primeiro jogo da equipe em Belo Horizonte no ano. Some isso a conquista cruzeirense da Copa São Paulo de Juniores durante a semana e temos torcedores com motivação suficiente pra irem em um número muito maior. Resultado: zona para comprar ingressos. Filas interminavéis, tumulto, desrespeito. Ingressos sendo confeccionados na hora e em prestações. É sabido que a administração Perrella não gosta de jogar dinheiro fora. Pensando assim, seria impensável pra eles gastar em vão R$0,53 referentes ao custo do ingresso que talvez não seja vendido. Mas é melhor gastar essa grana do que deixar de ganhar R$15,00 do torcedor que comprou e entrou no campo.

Enfim, passado esse drama, ingressos comprados, jogo rolando e o verdadeiro objetivo desse texto: a realidade do Mineirão sem cerveja. Parece que para coibir a violência, proibiram a comercialização de bebidas alcóolicas não só dentro, mas nas redondezas do estádio. De fato, o Mineirão me pareceu mais ordeiro e calmo. Contudo, o tradicional feijão tropeiro perdeu um pouco da graça. Os torcedores nas arquibancadas e no rádio clamavam pela volta da cerveja, alguns argumentavam que “só os marginais bebem e causam confusão”. Será? Acho que não. Segundo estatísticas, a esmagadora maioria dos atendimentos médicos feitos no estádio são decorrentes de excesso de álcool. Nesse universo, outra avassaladora maioria são de pessoas que se machucaram sozinhas, caindo, tropeçando, etc. E as brigas, por incrível que pareça, são poucas.

Conclusão: Quem briga no Mineirão é porque foi com essa finalidade. Isso é coisa de marginal. Por outro lado, se a polícia teve menos trabalho e o posto médico também, é sinal de que a falta de cerveja contribuiu para a ordem. Contudo, como bem me disseram “Mineirão não é convento”, logo, caberia o álcool ali. Mas, o que é mais importante, o futebol ou a cerveja? Quer dizer, o cara vai ao campo pra assistir o jogo ou vai para tomar várias latas e de quebra assistir uma pelada?

Ah, o placar foi 4 a 0 para o Cruzeiro. ;-)


Porque não basta ser burro, tem que avacalhar…

Era o que faltava. Como se não bastasse a “censura” aos portais, agora o COB resolveu proibir que os atletas mantenham blogs ou sites pessoais durante os Jogos Pan-Americanos.

Em dezembro, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) enviou um comunicado às confederações brasileiras com uma série de restrições a atletas e dirigentes para o Pan-Americano do Rio. As principais proibições dizem respeito a site pessoais e blogs.

“Nenhum atleta e/ou oficial da Delegação Brasileira dos XV Jogos Pan-Americanos Rio 2007 pode atuar como repórter, produzindo textos ou pesquisas mesmo para fins editorias, enviar periódicos ou diários on-line para sites na Web durante o período dos XV Jogos Pan-Americanos”, afirma o comunicado, assinado pelo presidente do COB e do Comitê Organizador do Pan do Rio, Carlos Arthur Nuzman.

É tanta burrice junta que me dá raiva. Parece surreal de tão imbecil. Paralelamente, Marcelo me manda um e-mail com editorial da Folha de São Paulo da última quarta-feira. Assinado por Mário Magalhães, o texto fala do estouro no orçamento das obras para o Pan.

O comportamento dos governos coincide. Em 2003, o “Diário Oficial” do município anunciou que o estádio olímpico custaria R$ 60 milhões (30% a mais em valor atual) e ficaria pronto em 2004. Está em R$ 350 milhões e segue em obras.

A então governadora Rosinha Matheus cravou em 2005: a reforma do Maracanã para o Pan de julho de 2007 sairia por R$ 71 milhões. O orçamento deu um salto, triplo, para R$ 232 milhões.

Ainda no Ministério do Esporte, Agnello Queiroz apalavrou: o Complexo Esportivo de Deodoro exigiria R$ 45 milhões dos cofres federais. Já lhes subtrai R$ 94 milhões.

Por essas e outras que eu fico pensando se temos realmente estrutura para fazer um Pan e, pior, organizar uma Copa do Mundo.


Podcast #3

Abordando o carnaval! Aos poucos vou me acostumando com esse formato de mídia.


Corinne Bailey Rae – Put Your Records On

Mais uma boa surpresa vinda do “Tráfico de Música Boa” que mantenho no trabalho. :D

Three little birds, sat on my window
And they told me I don’t need to worry.
Summer came like cinnamon ,so sweet,
Little girls double-dutch on the concrete.


A postura da Veja

Eu fico tentando imaginar porque a bela* e fantástica* revista* Veja preferiu fazer do amor entre cães e seus donos sua matéria de capa, quando na mesma semana, a poucos metros do prédio da redação, uma cratera engoliu seis pessoas, uma dúzia de caminhões e uma van.

Será que tem a ver com o fato de ser uma revista de direita, assim como o governo de São Paulo? Ou teria outro motivo, tipo superexposição do assunto*, coisa melhor pra falar* ou algo do tipo?

* Fui sarcástico.


E se fosse um livro?

IMDBGostei de “Muito além da ficção“. A começar pela história: Will Ferrell é Harold Crick, um auditor da Receita Federal, sozinho e metódico. Conta os passos pra chegar até o ponto de ônibus, quantas vezes ele escova cada dente, qual nó de gravata é o mais rápido e por aí vai. Crick então percebe a presença de uma narradora em sua vida, uma voz que vai descrevendo minuciosamente cada ação e sentimento. A narradora é Kay Eifell (Emma Thompson), escritora de romances que não consegue terminar o livro onde Ferrell é o personagem. Nesse meio tempo, ao auditar uma padaria, o solitário fiscal se vê interessado por Anna (interpretada por Maggie Gyllenhaal, potencial candidata a ser minha esposa), a dona do estabelecimento, que é o exato oposto de Crick: cabeça aberta, nada sistemática e etc. Não vou contar mais, mas a busca de Harold Crick pela solução do problema, seu relacionamento com “a voz” e principalmente, a mudança na sua maneira de viver a vida são muito bacanas.

Maggie está maravilhosa e tem uma tatuagem linda de morrer no braço. Ela tem um sorriso e uma presença que deixa qualquer cara de boca aberta. Will Ferrell conseguiu provar que não é só um ótimo comediante. Dustin Hoffman, Emma Thompson (e seu sotaque inglês maravilhoso) e Queen Latifah (que me surpreende positivamente sempre) também estão muito bons.

Vale até um pensamento bobo: E se você fosse realmente um personagem de livro? Como seria seu relacionamento com quem escreve? :)


Chico Buarque – Pelas Tabelas

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com a minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão


Censura velada?

COB proíbe transmissão ao vivo dos Jogos Pan-Americanos pela Internet

Apesar de “reconhecer a Internet como importante meio de comunicação e promoção do esporte” em sua diretriz à imprensa, o CO-Rio impôs fortes restrições: essa mídia não poderá apresentar nenhuma reportagem com imagens da competição, entrevistas exclusivas e até mesmo treinos em locações oficiais.

É um assunto até delicado, embora tenha a certeza que a decisão é uma medida imbecil. Primeiro porque tem cara de uma censura velada contra os portais e segundo porque ela é completamente inútil e cheia de buracos. Um veículo que atinge 21 milhões de pessoas no país não pode ser simplesmente largado pra lá. Aliás, é a segunda vez que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) comete essa burrice. Em 2004, os jornalistas de web sequer conseguiram credenciamento para a cobertura dos jogos de Atenas. Adicionalmente, todos os canais de TV e emissoras de rádio possuem portais. Como você fala pra Globo ignorar o elefante branco que é a globo.com? A Globo tem todo aquele material armazenado no Globo Media Center e certamente tentará colocar lá também o conteúdo dos Jogos Pan Americanos que ela tanto patrocina. Em menor escala, como proibir a Itatiaia de transmitir a sua programação pela web?

A parte furada dessa determinação é a proibição que impede os portais de disponibilizar vídeos e fotos durante ou logo após os ventos. Contudo, esqueceram-se dos celulares e câmeras digitais dos que pagaram ingresso pra ver os jogos. Certamente o Youtube será recheado de vídeos dos eventos. Melhor assim.

No Brasil, o aparelho de TV está presente em 97% dos domicílios e a internet em 14% dos domicílios com forte concentração nas classes A e B. Apenas 5,6% do total de domicílios no país possuem acesso a redes de banda larga, necessária para reprodução com qualidade de imagens em movimento.

Outra coisa que eu não engulo é a argumentação acima. Quer dizer, vou ignorar a possibilidade de transmitir a informação por outro meio só porque 5,6% dos domícilios no país utilizam banda larga? Sei que parece passional demais e ate ingênuo até certo ponto, mas analisando de várias formas (usuário, jornalista, [ex-]profissional de internet) me parece ignorância demais esquecer por completo (seja por pressão dos outros meios ou burrice mesmo) a internet.


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