Desde 2002 falando bobagem (e coisa séria também)

As quartas de final

Um jogaço, quatro bons jogos, duas peladas e um jogo eu não vi. Assim classifico as oitavas de final.
O jogaço foi Argentina e México. Achava que os hermanos atropelariam os mexicanos, mas não foi o que vimos. Se não fosse o desperdício de chances, o resultado podia ser diferente. E o golaço na prorrogação coroou o belo jogo.
A Alemanha definiu o jogo em 12 minutos contra a Suécia e administrou o resultado.
Portugal e Holanda abriram a caixa de ferramentas e bateram bem durante o jogo todo. Mas foi corrido e disputado, com a Holanda lutando até o final.
O Brasil fez um pouco menos que o esperado contra Gana. Mas Ronaldo, que está gordo e deveria sair da seleção para alguns, fez um golaço e agora é o maior artilheiro das Copas.
Torci pelos espanhóis, mas o complexo de inferioridade deles falou mais alto e a França definiu no final.
As peladas foram Inglaterra x Equador e Suiça x Ucrânia. Só os ingleses acreditam na seleção. No bar, após o jogo, um bêbado chegou pra gente dizendo “não entendo como vocês gostam de tocar curto, tocar curto e driblar. É muito melhor lançar, cabecear e marcar”. Já os suiços deram uma aula de como não bater penalidades máximas. O jogo deu sono.
Não vi Itália e Austrália. Acredito que não perdi nada.
Já adianto o que veremos nas semi-finais: Argentina contra Ucrânia e Brasil contra Portugal.


De Londres

Entre os milhares de imigrantes dessa cidade, os indianos parecem estar em maior número. Houve um fluxo migratório pesado na década de 60 e hoje temos duas e até três gerações de londrinos descendentes de indianos. Como todo bom morador dessa cidade, eles odeiam perder tempo. Explico: Ontem no caminho até a estação, parei numa lojinha de conveniências dirigida por indianos para poder recarregar meu passe semanal.

No meio da minha explicação (semanal, zonas 1 e 2, começando hoje), meu telefone tocou. Ingenuamente, pedi 30 segundos e atendi. A indiana ficou possessa. Claro, Murphy foi dar um alô e a loja lotou em questão de segundos. Tentei falar ao telefone e dar explicações ao mesmo tempo, confundindo a comunicação em todos os sentidos possíveis. Ao terminar a ligação, pedi desculpas e entreguei o cartão de crédito. A julgar pela maneira que ela passou o cartão e me entregou a notinha para assinar, ela ficou bem puta.
Aliás, embora tenha entendido como as coisas funcionam, estou colecionando incontáveis gafes aqui. Principalmente pelo fato dos ingleses falarem muito rápido. E o meu inglês de vez em quando dá uma travada.
Já disse como esse é um país de guitarristas? Que dificuldade pra achar uma espelunca que venda meia dúzia de baquetas e pratos…


Bri’ain

Nesses dias na cidade conheci bons museus. National Gallery, National Portrait Gallery e o British Museum. O bom é que todos são de graça. Achei a parte de Grécia e Egito antigo do British Museum melhor que a do Louvre. As outras duas também são muito bacanas. Já domino a área de Oxford Street, graças aos ex e atuais moradores dessa cidade impessoal, já achei algumas boas lojas de música, além de eleger o pub local para ver os jogos da Copa. Ainda tenho muita coisa pra ver, acho que até domingo terei sucesso nisso.
Vale ressaltar que andar pelas ruas durante o fim do expediente é meio agonizante. Nunca vi tanta gente junta e com pressa. Bom que serve para desenvolver sua esquiva e, quando não há sucesso, praticar o seu “Sorry!”.
O sotaque também é algo curioso. Parece que dos britânicos, o pior sotaque é um que come quase todos os “T” das palavras. De modo que “water” vira “wa’a” e “Britain” vira “bri’ain”.


London Calling

Novamente em Londres, desde terça. Agora é o sentimento de que a viagem está chegando ao final. Reencontrei Gui e encontrei André e Fred. Na quarta vimos o jogo da Argentina em um pub e ontem demos uma volta, passando por alguns pontos turísticos: Buckingham, Big Ben, Trafalgar Square e no Parlamento. Buckingham e o Big Ben são meio decepcionantes, nada de muito espetacular. Depois que vi o Castelo de Pena, achei o daqui pequeno demais. Trafalgar tá quase toda em reformas. E vi uma sessão na Câmara dos Comuns, sobre política de Defesa. Uns cinco deputados do governo e uns sete da oposição presentes. Menos mal. Meu pai comentou via e-mail que 30 anos atrás, quando ele veio aqui, havia um deputado com os dois pés na mesa principal. A preocupação com a segurança é tanta que passei por duas revistas barra pesadas. Precisei assinar um documento onde me comprometia a não ler livros nem papéis dentro do Parlamento e, principalmente, não aplaudir ou vaiar o que é discutido no plenario. Já estou bom no sistema de transportes. Pego um metro e um trem, e demoro 20 minutos de Oxford Circus, o ponto de encontro, até Clapham Junction, a estação de trem perto da casa do Gui.
As lojas de CDs são de pirar a cabeça. Promoções monstras e lançamentos sensacionais. Alguma coisa eu vou ter que levar.
E uma dica para quem vier pra cá. Nunca, em hipótese nenhuma, peça algo com “I want …, please?”. Tudo aqui é “Could I have …, please?”. Ontem soltei um “I want a Big Mac meal, please?” e a atendente do Mc Donalds fechou a cara. Ok, já aprendi. ;-)


Pode ir lá pra casa

Estrela de “Lost” quer voltar ao anonimato
Ela quer viajar pra um lugar onde ninguém a conheça. Pode ser lá em casa. Mas só depois do dia 3, quando eu chego! ;-)


Brasil 4 x 1 Japão

Eu sempre falei pra respeitarem o Ronaldo. Um cara que faz 14 gols em Copas do Mundo merece um pouco mais de consideração. Até os narradores ingleses, os mais críticos do planeta, se renderam ao cara. Parreira agora tem alguns problemas. Juninho, Cicinho e Gilberto jogaram muito e o time correu mais. Acho que não teremos muitas dificuldades pra passar de Gana. O futebol deles não me convenceu.


A despedida

Segunda, na despedida de Freiburg, eu e Gomides saímos para tomar umas cervejas com Benjamin, talvez o cara mais boa praça do mundo. Benjamin fala uma porrada de idiomas, é culto pra caralho e trocava idéia em português. Todos gostam do cara e não é pra menos. Findado o encontro, após algumas cervejas, Benjamin vai pra casa e nós dois seguimos sem rumo. Passamos na frente do Schlappen, tradicional pub alemão e vimos Eric, amigo de Gomides e carinhosamente chamado de puto espanhol, comemorando a vitória de sua seleção, acompanhado de belas conterrâneas. “Puto espanhol”, porque a missão do cara na cidade é pegar mulher. Nada de errado, pelo contrário. Mas ele é mestre nisso. O outro sonho dele é arrumar uma casa em Floripa, abrir um buteco e pegar onda.
Entramos e pedimos mais cerveja. Em pouco tempo, já dançavamos e agitavamos bandeiras, como autênticos espanhóis. Quando assistimos à Alemanha contra Polônia, a simpatia das polacas serviu e incentivo para irmos até a Varsóvia a pé, só pra tirar o passaporte polônes. Depois da noite, resolvemos mudar. Queremos ir para Madrid, tamanha a diversão da noite.
Nesse momento, a espanhola sedutora veio com seus encantos. “Brasileiros simpáticos, adorei vê-los com bandeiras da Espanha”. O buteco acompanhava a “nossa” galera. Inclusive uns quatro holandeses, todos com mais de 1,90m e cara de bobo. Pagavam bebidas para nossas amigas, a venezuelana mignon e a espanhola sedutora. Um holandês tentava de todas as maneiras pegar a nossa vizinha, utilizando métodos que eu escrevo posteriormente nesse espaço. A essa altura do campeonato, um grego gay e uns americanos filhos de colombianos já estavam com a gente.
Schlappen fecha. Atravessamos a rua e caímos na Glamour. 11 pessoas. Cinco euros pra entrar. Osso. Toda nossa grana havia sido dizimada em cerveja de todos os tipos. O porteiro resolve deixar seis pessoas entrarem de graça. Os outros cinco teriam que pagar. Os Holandeses, zerolas como sempre, ignoraram as donzelas e foram entrando. Os americanos, num gesto de boa vontade, pagam nossas entradas e devolvemos a gentileza pagando cerveja. Descemos e começamos a bombar ao som de hits alemães estranhíssimos e músicas deprê. Já era tarde, era segunda, talvez o DJ queria ir pra casa logo.
Mesmo assim, na pista, as outras espanholas se preocupavam em bater fotos, enquanto nossas duas amigas desfilavam charme, a venezuelana ignorando um outro Orange, que dançava desajeitadamente. O grego gay incitava o homossexualismo masculino, enquanto os americanos só observavam. Depois disso, a animação foi acabando e as perspectivas também.
Saldo final, uns 25 euros mais pobre e de ressaca moral, embora tenha sido divertidíssimo!


Azar

Apesar de extremamente incrível, essa viagem possue umas particularidades não tão legais assim. Com exceção de Munique, todos os primeiros dias tem sido, por assim dizer, caóticos. Perdi minha mala quando cheguei em Londres, ficamos nove horas presos no aeroporto, sem carro, em Lisboa. Incontáveis horas perdidos no trânsito madrilenho e na Gare du Nord em Paris. Indo pra Alemanha, perdi meu trem. Chegando em Munique nada deu errado e pensei que não teria razões para ter algo de errado na volta pra Londres, porque um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Me enganei. A menina da imigração foi mais chata que o cara da primeira vez. E pra piorar, um vidro de mostarda que comprei em Paris foi quebrado. A sorte que estava num compartimento isolado da mala. O que foi extremamente danificado foram uns porta-copos que vim colecionando desde o começo da viagem, além de umas bermudas que usei para tentar amenizar o impacto sobre o vidro. Nota-se que não houve sucesso.
Mas, como eu digo, vivendo e aprendendo. :)


Fan Zone

O Fan Zone em si, é fantástico. Muita cerveja, muita comida, muita gente, croatas, brasileiros e australianos, quase na mesma proporção e o resto do mundo. Um telão imenso foi montado perto do lago, e todos se acomodaram no sol escaldante para ver o jogo. Mágica a festa que a galera faz. E eu acho que esse é o bacana da Copa. Ninguém se agride. Já no metrô, vindo pra casa, um australiano, totalmente embriagado me pede para trocarmos de bandeira. Minha bandeira de cinco euros e 22 estrelas foi trocada por uma de talvez cinco dólares australianos.
O jogo foi melhor que o primeiro. Ronaldo se movimentou mais, mas a Austrália estava muito fechada. Fred, largo como sempre, coroou a vitória.
Mas o pior foi (ou vai ser) bancar o bocó em rede nacional. Passava das 14hs, sol rachando, minha pintura do rosto já quase acabada, a tinta se misturando com a barba e eu caminhando perto de dois caras. De repente, um saca uma câmera e outro, um microfone. Os caras param e dizem “Vamos fazer agora”, viram pra mim e soltam, de supetão: “E Jesus, torce pelo Brasil?”, eu poderia falar algo construtivo, tipo “Se meu pai é brasileiro, porque não torceria?” ou “desde o começo dos tempos!”, respondi: “É claro que torce! Brasil!!! Aliás, sabiam que me um iraniano me chamou de terrorista?”
Era da ESPN Brasil. :|


Homem bomba

E quando um iraniano chega e diz: “É, te olhando assim, você parece um extremista do meu país”… :|


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