Não Sou Um Anjo

Por em 18 de mai de 2012 em Automobilismo, Livros | Comente este post

Não sou um anjo
Terminei de ler “Não Sou Um Anjo”, a biografia do Bernie Ecclestone, o chefão da Formula 1. É uma história bacana, apesar da falta de cuidado na edição brasileira. Achei parágrafos repetidos, grafias erradas (“Marco Andrette”, equipe “Mac Laren”) e algumas informações desconexas também. Deslizes que pegam mal para o público aficionado por automobilismo. Ainda assim, vale a leitura.

Bernie é um cara engraçado. Em um paralelo grosseiro, ele é uma espécie de D. João VI para a Formula 1, ou seja, responsável por todas as coisas boas e ruins que aconteceram no esporte. Veio de uma simples família inglesa, vendia carros usados, negociava com todo tipo de gente e, pelas beiradas, entrou no automobilismo e revolucionou a parte comercial da F1. Seu foco sempre foi o dinheiro e por ele valia a pena correr na Argentina e no Brasil da ditadura, na África do Sul rachada pelo apartheid e, mais recentemente, no meio da revolução popular do Bahrein. Intermediou conflitos esportivos e abrandou punições sempre pelo “bem” do esporte. Com isso, transformou a Formula 1 no segundo esporte mais lucrativo do mundo, depois do futebol.

E o livro tem umas tiradas engraçadas, que mostra o senso de humor do cara. Após o fim do casamento com Slavica, perguntaram para Bernie se ele estava triste. “Estou, mas pelo menos descobri que quando chove de manhã, a culpa não é minha”.

Enfim, apesar dos erros, “Não sou um anjo” é, pelo menos, um livro fidedigno. Não te faz ter mais simpatia por Bernie Ecclestone, pelo menos comigo não aconteceu. Mas mostra um pouco dos bastidores desse ambiente árido que é a Fórmula 1.

Engraçado, ao ver a categoria “Livros”, vi que pouco escrevo sobre as literaturas recém-terminadas. Vamos corrigir isso!

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TEDxBeloHorizonte

Por em 17 de mai de 2012 em Oh vida! | 1 comentário

TEDxBeloHorizonte | Todas as fotos por Bruno Vieira | Conexão Periférica

E no sábado tive a felicidade de participar do TEDxBeloHorizonte. Era um evento que tinha muita curiosidade de participar, já que só conhecia a “grife” e a diretriz de que os “TED Talks”, têm que ter, no máximo, 18 minutos de duração. Não vou falar de cada palestra ou de cada momento. Isso vocês vão ver em vários blogs e coberturas diversas nas interwebs. Eu mesmo queria fazer uma cobertura “ao vivo” no twitter, mas percebi que perderia muito do evento se ficasse só nisso. Resolvi aproveitar e absorver o que aconteceu no dia, ou, para pegar carona no título do evento, para expandir meus horizontes.

Em eventos corporativos, há o espaço para o que é convencionalmente chamado de networking. Pode ser um preconceito, mas nunca acho que são momentos 100% honestos no ambiente corporativo. No TEDx foi diferente. Como o objetivo do evento é compartilhar experiências, os participantes veem esse momento com muito mais naturalidade. Talvez seja pela sacada do crachá, que tem impresso três assuntos do seu interesse, no meu caso, mobilidade, fotografia e comunicação. Ainda bem que não falei só de três assuntos, porque é natural migrar entre rodas de bate papo ou ir atrás de alguém pouco conhecido para trocar ideias. A lógica do evento é essa e isso é muito bom. Pode parecer meio clichê, mas estar no meio de pessoas que querem construir coisas legais é um atestado de que ainda é possível ter fé na humanidade.

Outro ponto fundamental é saber que os palestrantes estão ali, disponíveis o tempo todo e transitando pelos espaços comuns.Fosse eu mais solto, poderia conversar sobre urbanismo com o Roberto Andrés, sobre o Google Earth com a Rebecca Moore ou sobre montanhismo com o Satyabrata Dam. Por timidez não conversei, mas tudo bem.

Roberto Andrés | Foto: Bruno Vieira | Conexão Periférica

Roberto Andrés

Entre as 13 palestras do dia, gostei de duas em especial: Roberto Andrés e da Raquel Helen. O primeiro é professor na Escola de Arquitetura da UFMG e falou sobre uma cidade mais humana, algo que acredito, defendo e que vai merecer um post especial. E o que isso significa? Um espaço com menos asfalto e mais espaço para as pessoas. Em Belo Horizonte, 28% das pessoas fazem o trajeto casa-trabalho a pé e a cidade parece querer complicar a vida dos pedestres, ao invés de facilitar. Como? Espremendo as calçadas, tampando os rios e fazendo mais faixas de rolamento. Algo que pode servir pra muita coisa, menos para resolver o problema de trânsito das cidades.

Raquel Helen - Foto: Bruno Vieira | Conexão Periférica

Raquel Helen

Já a Raquel Helen me ensinou que pra ter as coisas, basta querer e correr atrás. No meu atual momento de vida, caiu como uma luva. Orfã, criada com a avó no bairro Santa Efigênia, poderia ter uma vida “normal”, mas não. Ano passado foi selecionada pelo programa Global Changemakers do Conselho Britânico e participou do 40º Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. No meio da sua história, falou que “não tem essa de ser velho demais ou novo demais” para começar qualquer coisa. Melhor impossível e outro sopro de esperança para esse que vos escreve.

Para complementar o começo do post, confesso que além da curiosidade, tinha um pouco de preconceito em relação ao TEDx. A tal da grife deve ser um problema, pensei. Mas não. Tem muita coisa legal e essa primeira edição do TEDxBelo Horizonte provou isso. Organização excelente, espaço sensacional, boas pessoas. Claro, é bem difícil manter o evento em alto nível o tempo todo, mas as palestras foram legais. E de quebra, eu e o Caio ainda conseguimos fazer duas edições do Ainda Sem Nome lá (Aqui e aqui.

Espero estar de volta na edição do ano que vem. Como disse, é sempre bom estar perto de gente que quer expandir os horizontes e construir coisas legais.

Ah, agradeço ao Bruno Vieira por permitir usar suas fotos sensacionais. O link para todas elas é este aqui!

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Ainda Sem Nome #28

Por em 5 de mai de 2012 em Internet | Comente este post

Tem episódio novo do Ainda Sem Nome!

Neste episódio falamos sobre Google Drive, Google Hangout e o Disconnect.me.

Clica lá pra ouvir! :)

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#HangoutClaro

Por em 3 de mai de 2012 em Esporte bretão, Oh vida! | 2 comentários

Vou falar que escrever durante dez anos tem suas vantagens. Tiago, leitor antigo do blog, me convidou para participar de um Hangout no Google, na semana passada. Pra quem não sabe, o Hangout é uma ferramenta de conferência embutida no Google Plus, permitindo que até dez pessoas conversem simultaneamente. Eu e o Caio já consideramos o seu uso para algumas edições do Ainda Sem Nome, mas esbarramos em algumas dificuldades técnicas.

Enfim, no final do convite, ele disse que esse hangout era especial, porque era uma ação da Claro e iria contar com a presença do Ronaldo Fenômeno e do Marco Luque. Medo total!

O resultado final está aí:

Imagem de Amostra do You Tube

Fiz três participações: Me apresento no 1:12, faço minha primeira pergunta aos 11:59 e faço mais duas perguntas aos 33:43 do vídeo. Honestamente, minhas perguntas não foram ruins. No final do Hangout, fora do ar, recebi até um elogio de um dos participantes: “Pô, você fez uma pergunta que até parecia de repórter do SporTV”. :)

No geral, foi uma experiência divertidíssima. Acho que a lida semanal com o Ainda Sem Nome foi fundamental para ficar um pouco menos tímido, embora tenha sido a primeira vez que tenha mostrado essa cara feia aqui! :)

Mas vou falar, faria tudo de novo fácil, fácil! :)

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Cabeça, ano 10

Por em 3 de mai de 2012 em Cabeça | 9 comentários

Dez anos do blog(Esse post vai ser um reflexo do blog hoje, um emaranhado de ideias minimamente conectadas)

Acho que já contei essa história antes. Era um dia que voltava da faculdade, provavelmente de carona com o Carlin e o Marcelo devia estar no carro também. Estava “morando” na casa da minha avó, enquanto nosso apartamento estava sendo pintado, num processo que deve ter demorado alguns bons meses. Saindo do carro, me deu o estalo de fazer um blog. Não tinha a menor ideia do que iria escrever, e como já disse, tinha certeza de que iria durar uns dois meses. Era 3 de maio de 2002, eu tinha 19 anos, estava no segundo período da faculdade e fazia estágio na Lazo. Entrei no blogspot, cadastrei um endereço e comecei a postar. O primeiro post foi esse aqui, de uma ingenuidade ímpar. Fiquei até fevereiro de 2003 no blogspot, quando migrei pra cá. Migrei também para o B2, que virou WordPress e aí estamos. (Se tiver curiosidade, esse era o layout logo que chegamos aqui).

Sem uma pauta bem definida, consegui levar o blog até a data de hoje, quando esse espaço completa dez anos. Acho que posso ficar orgulhoso, porque é tempo pra caramba. E nessa falta de pauta, o “Cabeça” acabou virando um reflexo virtual da minha vida. Logo nos primeiros anos, em uma época (bem) pré-twitter, cheguei a postar 80 vezes no mês. Muitos dos posts eram curtinhos, provavelmente com menos de 140 caracteres. Em outras épocas, foram poucos posts. Hoje, a média é de uns cinco por mês.

(Aliás, pausa. “Cabeça” sempre foi meu apelido e naquele momento chave de decidir um título pra cá, acabei recorrendo a ele. Nunca tratei esse espaço como “Cabeça” e sim como “o blog”. Estou tentando mudar isso nesse post, então esperem as duas coisas. Segue o jogo)

Juntando os posts curtinhos com os grandões, são 2.559 (contando com esse) e 8.924 comentários aprovados. Mais de 10% desses comentários estão no post “As Andorinhas”. Uma verdadeira bíblia sobre o Trio Parada Dura.

A quantidade de posts diminuiu, bem como as visitas e os comentários. As pessoas agora postam em outras ferramentas, principalmente no twitter. Ainda assim, tenho um frio na barriga sempre que vejo comentários novos, de gente que caiu aqui sem querer. Afinal, dos 2.559 posts, existem alguns que eu acho muito bons. Por exemplo, o dia que eu fiz uma reunião num motel. Outros são muito ruins e eu tenho vergonha de muita coisa que escrevi no começo. Ainda bem. Se não amadurecesse em dez anos, teria alguma coisa errada acontecendo.

Se fui inspirado pelos blogs do Caio, do Norte, do Tecno e do Ceió,  sei que o blog inspirou algumas pessoas no exercício da escrita, o que me deixa muito orgulhoso. Conheci algumas pessoas através daqui, o que é também é muito legal.

“No pessoal”, já diria o Faustão, o blog serviu de válvula de escape nas demissões, nos stress (stresss? estresses?) no trabalho, nas desilusões amorosas e nos momentos de tristeza. Também compartilhei ótimas notícias, como algumas viagens, o começo do namoro, a mudança pra São Paulo. Deixei de escrever muita coisa importante nos dois lados, seja por falta de tempo, ou porque no momento não achei que fosse relevante ou com medo da opinião alheia, o que é uma tremenda bobagem. Se tivesse realmente medo do que os outros vão achar do meu texto, era melhor mudar de profissão. (Momento de desenterrar todos os rascunhos).

Falando em profissão, nunca quis que esse blog fosse a minha. Fora um breve momento com o Google Adsense, esse nunca foi o objetivo. Aliás, nenhuma dessas linhas aqui foi paga, o que me deixa muito orgulhoso. No entanto, o blog me ajudou a descobrir que gosto muito de escrever e que essa sim é uma boa profissão. Criar conteúdo e falar sobre o que eu gosto.

Se me perguntarem porque ou pra quem eu escrevo aqui, vou confessar que não sei. Tenho a ideia de criar um espaço específico para falar sobre esportes ou sobre comunicação, mas tenho certeza de que não vai ser aqui. Gosto do blog desse jeito, desorganizado, sem muita pauta e sem amarras. E se no começo eu me peguei pensando “será que o Cabeça vai durar dez anos?” e “o que estarei escrevendo depois de tanto tempo?”, hoje não tenho essa preocupação. Se é ou deixa de ser um diário virtual, quiçá um caderninho de bobagens, pelo menos serve para me divertir e, espero, divertir os que passam por aqui. Que seja assim pra sempre.

Parabéns para nós! :)

PS: O Kaleb não sabe, mas roubei seu bolo de aniversário para ilustrar a postagem. Tinha “10″ e “Star Wars”, então foi o vencedor fácil. A ideia era ser o bolo do Angry Birds, mas não achei. 

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Senna

Por em 1 de mai de 2012 em Automobilismo | Comente este post

Ayrton Senna

O dia de hoje motivou a reflexão, que poderia ser feita em qualquer outro.

Hoje, 1º de Maio, comemora-se o Dia do Trabalho e também o aniversário de morte de Ayrton Senna. No twitter, a hashtag #Senna18 fez-se presente, mostrando que “a morte do maior campeão de todos os tempos” atingiu a maioridade.

Aqui e ali pude ler aquela balela de que “os domingos nunca mais foram os mesmos”. Ô gente, menos. Se você gosta mesmo de Fórmula 1, todos os domingos foram iguais, mas em alguns deles os pilotos brasileiros não ganharam. (Já falei sobre isso nesse texto).

Senna pra mim foi um dos melhores pilotos que vi correr. O que me cansa é a canonização e a dicotomia que envolve o nosso piloto. SÓ ele era bonzinho, SÓ ele pode ser idolatrado, SÓ ele era bom. São os prós e contras de morrer ao vivo e em rede nacional.

E nesse processo o que aconteceu? Todos os outros pilotos brasileiros foram sacrificados, porque foram comparados com Ayrton Senna. Rubinho, Massa, Piquets, Christian Fittipaldi, Luciano Burti, Tarso Marques, Enrique Bernoldi, Pedro Paulo Diniz, Roberto Moreno, Antonio Pizzonia, todos eles eram bons, mas não eram o Senna para esmagadora parte do público brasileiro.

Tudo que peço para os fãs extremistas de Ayrton Senna é um pouco de tolerância. Ele era muito bom, era muito rápido, mas não era santo (ninguém é e a largada do GP do Japão em 1990 mostra isso). Ah, e uma pausa na futurologia cairia bem também, para isso, recomendo o texto do Flavio Gomes.

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Draw Something e a abstração

Por em 19 de abr de 2012 em Internet, Joguinhos | 2 comentários

Draw Something

Draw Something

Tenho me divertido muito com o Draw Something, uma espécie de Imagem e Ação, por assim dizer. Uma pessoa precisa desenhar uma palavra para que a outra acerte. Totalmente engraçado e que proporciona bons momentos de risadas e, principalmente, abstração. Baixei o aplicativo na semana passada e resolvi escrever essas mal traçadas linhas sobre algumas impressões que tive do jogo.

É muito interessante ver que não é preciso ser desenhista pra desenhar. É meio óbvio, mas é verdade. Meu traço passa longe do “aceitável”, mas consigo me fazer entender na maioria das vezes. O grande desafio é passar a ideia e confiar na capacidade do coleguinha em conseguir interpretá-la. Claro, algumas pessoas são tão ruins de desenho que não conseguirão desenhar um carro, mas acredite, se o conceito for minimamente transmitido, a chance de acerto pode aumentar.

Draw Something | Chico RulezAs palavras, no geral, são bem tranquilas, mesmo as que estão classificadas como hard. Como disse, a dificuldade, na maioria das vezes é passá-las para o “papel” de maneira coerente. Do outro lado, também é preciso um pouco de esforço para o palpite. E para isso, é necessário ser MUITO abstrato na interpretação. Se você jogou Imagem e Ação na sua adolescência, vai conseguir fazer isso bem. Vamos pegar, por exemplo, os desenhos que o canalha do Chico Rulez cedeu para o blog. No primeiro, essa aí na esquerda, ele estava desenhando para mim e, para manter a graça, apaguei a palavra.

Você consegue descobrir o que é? Não foi das mais difíceis, existem outras foram bem cabeludas. Outros vão ficar horas tentando fazer a relação entre “morcego devorado” e “mão chifrada”. Vai depender da proficiência do jogador na língua inglesa e também das suas áreas de interesse.

Finalmente, o mais legal: ver como as pessoas tem ideias diferentes das suas para a mesma palavra. Ou seja, conexões e raciocínios diferentes. Novamente, Chico Rulez nos presenteia com uma pérola criada por ele. Mais uma vez pessoas e palavras foram apagadas.

Draw Something | Chico Rulez

Melhor interpretação para um clássico dos anos 90. E devem existir mil outras construções para ela, todas com a mesma conclusão: “É claro que ele vai acertar!”.

Ledo engano.

Certa vez fui desenhar Moisés para o Walteen. Desenhei um bonequinho com um cajado na mão e dois paredões vermelhos imensos, era o Mar Vermelho aberto. “Tá muito óbvio. Essa aí vai ser de primeira”. Claro que não foi. Ele me disse “viajou nos paredões vermelhos”. Ou seja, nada claro. E essa é a graça do jogo!

Ah, se você está interessado, o Draw Something está disponível no Google Play e na App Store.

E eu queria saber quais foram os desenhos mais engraçados que vocês desenharam ou precisaram interpretar.

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